Mensagem para você, meu filho!

Não acho que esta música seja de teu gosto, um adolescente de 16 anos não deve gostar de músicas melancólicas, a não ser os “emos” e pelo que me consta você não é emo, mas mesmo estes não devem gostar dela, talvez a achem “brega”. Por isso peço licença para começar esta carta reproduzindo um verso composto por um grande cantor: Antônio Marcos, que era um gênio, mas também era um desajustado, um inconformado, provavelmente morreu infeliz e incompreendido:

"... Como vai você, eu queria saber da sua vida,
peço alguém pra me contar sobre os seus dias,
anoiteceu e eu preciso só saber..."

Essa música ele cantava com a alma, muito melhor que o insosso Roberto Carlos. Pena que você nunca o viu cantar, pena mesmo! Utilizo-me desta parte da música como uma forma de expressar o quanto eu sinto saudades de você. Há 16 anos ela tem sido o “hino” que eu canto em cada aniversário teu, o clamor de minha garganta em cada dia dos pais em que a tua ausência é tão presente e o grito inaudível de meu peito em cada dia das crianças. Sei que você nem se considera mais sequer adolescente e deve ser como todos os demais garotos de tua idade, como eu mesmo fui um dia, livre e independente, certamente que não desejaria presentes e nem aceitaria recebê-los hoje, afinal de contas hoje é apenas “Dia das Crianças”, por isso que para marcar esta data eu te escrevo esta mensagem, que há 200 anos estaria numa garrafa lançada ao mar, há 100 anos seria uma missiva entregue pelo carteiro à cavalo, há 10 anos seria um telegrama e hoje é “postada” num blog, mas todas expressariam, como esta, o amor incondicional de um pai que tem por sobrenome saudade. Há muito tempo que não paramos para conversar, já se passaram tantos anos desde a última vez.

A vida tem sido tão difícil, marcada por sonhos irrealizados e que nunca se realizarão e planos que foram lançados no mar do esquecimento para não lancetarem tanto, ela é tão corrida, ela passa tão rápido, ou deixamos que ela passe tão rápido, que eu chego a me perguntar se vale a pena viver oitenta anos em vinte.

Nem parece que sou pai de um adolescente com essa idade, ainda não me acostumei com a idéia. Tenho apenas a certeza do que é difícil educar filhos desta faixa etária hoje em dia, são tantos desafios, tantas dificuldades, que às vezes bate um desespero, tenho lido muito sobre o assunto, procuro me informar para poder enfrentar bem as situações que podem me sobrevir, além de você ainda tenho a Mysha (caso não saibas, Mysha é o epíteto de Jessicah Rhebeccah, tua irmã) com 14 anos, uma linda garota, no mais amplo sentido da palavra, tanto interiormente, quanto exteriormente. Inteligente, culta, sensível, escreve bem demais, tem centenas de contos que eu vivo pedindo que ela publique, mas ela sempre procrastina, digo, protela, prorroga, vocês dois são dois universos diferentes, cada um com seu mundo, cada um com suas “certezas”. Você precisa ver o que ela fala de si mesma, as lutas que tem e, olha que dá vontade de rir, as paranóias de que é feia, uma verdadeira Cinderela que se acha Gata Borralheira! Dá uma olhada de leve no blog que ela mantém e depois ver as fotos no perfil dela no Orkut. Vá entender as mulheres! Conselho de pai, não tente, é uma roubada, para cada coisa que elas disserem, diga apenas hum, hum! E balance a cabeça afirmativamente, isso vai fazer com que te considerem atencioso e você não se meterá em problemas.

Só agora que já tens capacidade de me entender e compreender de fato é que te escrevo esta, e um dos motivos é para dizer o quanto lamento não ter visto você dar os primeiros passos, eu não estava à tua frente com os braços abertos te dando a confiança que precisavas nesta fase tão importante de tua vida, eu também não limpei as feridas, que as muitas quedas e os muitos tombos te causaram. Não pude também te ensinar as primeiras palavras, como também não ouvi sequer quais foram as que você primeiro pronunciou. Nunca troquei uma fralda sequer tua, nunca me levantei à noite para te colocar no braço até que a dor ou o desconforto te deixasse dormir. Nunca arranquei nenhum dente teu e nunca te coloquei para dormir ninando-te me meus braços.

Lamento profundamente o fato de não ter te ensinado a andar de bicicleta, nem sei se sabes, se aprendeste de alguma forma, também não te ensinei a jogar bola, muito embora eu nem saiba muito, sempre fui meio desajeitado, parece que nem tenho coordenação motora, nem sei se seria capaz de fazer isso, mas com certeza correr contigo atrás de uma bola teria sido um prazer imenso para mim..

Não te ensinei a jogar pião, bola de gude e construir e empinar pipas, coisas que eu sei que os meninos de hoje nem sabem que um dia existiram, pensam que são peças de museu, mas também poderia jogar contigo no computador ou em qualquer videogame irado desses modernos.

Não pude te levar à escola, nem no primeiro dia e nem outro dia qualquer depois, não pude ver teus jogos, tuas competições esportivas, nunca pude ir à escola para comemorar o Dia dos Pais ao teu lado.

Nunca te levei ao Santuário Maior dos Rubro-negros de Recife, a majestosa Ilha do Retiro, covil do Leão do Norte, se bem que neste momento as coisas não andam muito boas por aquelas bandas não. Nunca assistimos a jogos do Sport e nem tomamos sorvetes juntos.

Nunca te levei à igreja, você nunca me viu pregando ou ensinando e nunca pudemos falar de Deus e de Jesus. Nunca pude ler histórias (e estórias também) para você, como fazia para a tua irmã quando ela era menor. Nunca pude te contar minhas aventuras, como o dia em fugi de casa ou o dia em que toquei fogo numa plantação, mas isso fica para outro dia, eu já estou correndo o risco de entrar numa digressão, e em outro lugar eu já escrevi sobre isso.

Não fiz nada disso não foi por estar ocupado, talvez se esse fosse o motivo eu estaria agora feliz, pelo menos poderia recuperar o tempo perdido, mas não fiz nada disso porque você foi embora muito antes que eu pudesse fazer algo, foi embora sem um sorriso, sem uma lágrima, sem um choro e até mesmo sem um adeus.

O dia 31 de agosto de 1993 ainda está marcado à ferro e fogo em minha alma, deixou marcas indeléveis, que, acredito eu, são eternas. Neste dia, ainda que eu tivesse 25 anos, para mim foi o dia em que perdi a noção do “mundo maravilhoso de Alice”. Onde tive que enfrentar todos os meus medos, todos de uma só vez, onde a sombra começou a pairar sobre minha vida e a “noite escura” da alma chegou de vez.

Neste dia você nasceu e floresceu, neste dia você definhou e morreu.

Você foi como um presente de Deus, chegou quando disseram que era impossível que você viesse, e foi embora quando eu achava impossível que fosse verdade. 16 longos anos imaginando como seria toda uma vida, como seria ter você e Mysha, juntos, curtindo a infância de cada um e vivenciado cada momento e cada vitória, e dividindo o peso de cada derrota que por acaso sobreviesse.

Senti-me só no dia em sepultei você, perdido, ainda que muita gente estivesse ao meu lado, uma dor profunda como eu nunca havia sentido, como nunca senti depois, porém a dor nunca mais foi embora, resisti por muito tempo, depois me acostumei, caso ela vá embora eu creio que sentirei muita falta. Não é que ela virou amiga, apenas não sei como é existir sem ela.

Alguns anos depois senti a mesma solidão, o mesmo sentimento de desamparo e abandono à beira da sepultura do meu pai, você já o deve ter conhecido, é claro! Não sabes o quanto eu sonhei com vocês dois juntos, tenho certeza que ele te colocaria nas costas e te deixaria fazer cavalinho nele, seria um problema para mim, pois ele como um bom avô iria te colocar no mau caminho, como o pai de minha mãe me colocou. A dor que eu senti foi diferente, a dor que senti quando me despedi de você foi uma dor não natural, nenhum pai deveria enterrar um filho, nenhum pai!

A saudade dói, mas a saudade que sinto pode ser, parafraseando um escritor americano, um “rumor da outra vida” que um dia teremos juntos, quando nos reencontrarmos, então a tua presença e a presença eterna da Luz Divina preencherão todos os vazios que porventura ainda existam. Sobre os vazios que só Abba pode preencher, um santo do passado um dia disse: "Fizeste-nos para Ti, e inquieto estará o nosso coração enquanto não encontrar em Ti descanso". Você já deve tê-lo conhecido, é um cara esquisito que gostava de roubar pêras, por nome Santo Agostinho. Sei que já experimentas essa plenitude, sabes bem do que estou falando, muito melhor do que eu.

E então sentaremos na beira de um rio, pescaremos, andaremos e conversaremos, colocaremos os assuntos em dia. Mas neste dia, já não terei mais lágrimas para derramar, pois elas serão enxugadas por Abba, a saudade vai desaparecer e só alegria do reencontro dominará nossos corações. E aí esperaremos aqueles que virão depois de nós e então “estaremos juntos para sempre com o Senhor”.

Até breve Ulrich, até breve garoto, dê lembranças ao teu avô, diga-lhe que sinto muito a sua falta, até breve meu filho.

Contos I - Desfile

Numa manhã de inverno ele ficou radiante quando a professora colocou o seu nome na lista dos que iriam desfilar, bem verdade que ela perguntou quem queria, mas como gostava muito dele não titubeou ao listar seu nome. A escola se preparava para o desfile cívico de 07 de Setembro, data esta muito valorizada pelo governo militar na década de 70. Era época de cantar “Este é um país que vai pra frente...”. Ninguém queria ficar de fora, muito menos um garoto de 07 anos, que ainda lembrava-se do primeiro desfile que assistiu quando morava numa cidade do interior e que, talvez por conta do calor, acabou passando mal e indo para casa mais cedo sem ter visto o desfile todo.

Ainda desfilou nas ruas do bairro durante um ensaio, a emoção de marchar sob a cadência da banda marcial da escola, o orgulho de ser visto pelos amigos e vizinhos no meio daquele pelotão era indescritível, era como se todo o mundo tivesse parado apenas para vê-lo, não seria destaque e nem guia de pelotão, mas estaria ali, num meio de um pelotão e com uma farda universal que o tornaria invisível, mas estaria ali.

Quando chegou em casa foi categórico: - Vou desfilar no dia 07, a professora disse que tem que ter a camisa da farda e a calça azul, a camisa eu já tenho, só falta a calça. Ele não contava com a resposta da mãe, dita de forma inexorável e letárgica: - Eu não tenho como comprar a calça, você não pode desfilar! Ela não entendia o que aquele desfile significava para ele. Foi ponto final, não houve choros e nem lamentos, isso não era permitido. Nem sequer o doce engano de sonhar com os olhos abertos ele teve, sabia que a mãe não voltaria atrás, sabia que ela não se preocuparia com isso, não era dada a arrependimentos. Por incrível que possa parecer seis meses depois ele fugiu de casa, foi encontrado, mas fugiu.

Numa tarde perdida, dez anos depois, tinha colocado o uniforme de educação física, pois haveria treino de judô na academia da escola naquela tarde. Era sufocante estudar numa escola de carreira militar: estudo pela manhã, atividades físicas à tarde, regime de internato, farda, desfile, bandeiras... etc. Quando se dirigia à academia disseram-lhe que haveria formatura no campo de futebol, todos, absolutamente todos deveriam ir para lá, foi meio desconfiado, pois o traje que estava destoava do restante dos 98% dos alunos. Formar no pelotão de tênis, enquanto os demais estavam de borzeguim era se expor demais e num quartel isso era perigoso.

Quando o oficial comandante do quadro de alunos deu voz de comando de “- Fora de forma, marche!”, ele esperou o pior, achou que seria punido por estar sem uniforme. - No mínimo vou pegar um fim de semana sem sair do quartel. Era o mais lógico pensamento que poderia ter, mas o que o esperava, ele não podia prever. Saiu em disparada para apresentar-se ao Tenente, enquanto corria no meio daquela fileira interminável de alunos ficava imaginando o que aconteceria se alguém estendesse a perna, por certo que o tombo seria memorável, não teve medo que algum engraçadinho fizesse isso, mais pela presença dos oficiais que por confiança nos colegas, ao chegar na frente recebeu ordem de permanecer ali ao lado de outros colegas, até que lhe disseram que ele havia sido escolhido para ser guia de pelotão, só depois ele soube que não era só guia do pelotão, mas o guia do primeiro pelotão, na absoluta vanguarda da tropa escolar.

07 de Setembro, centro da cidade, principal avenida, com milhares de pessoas observando ele desfilou com uniforme de gala, branco impecável de doer na vista, fuzil na mão esquerda e diante do pelotão de alunos, desta vez ele não estava invisível, todos os olhos o viram, mas parece que toda aquela multidão não estava ali, ele nem notava, pois tinha que desempenhar bem o seu papel e isso pedia concentração máxima, olhar em frente e puxar o desfile. As câmeras de TV o filmaram e ele foi visto nos principais telejornais naquela noite, além de saber que uma Rede de TV estava transmitindo o desfile ao vivo, no outro dia suas fotos saíram nos jornais. Era o mesmo menino de 07 anos que não conseguiu desfilar quando quis e desta vez ele era o guia e nem sequer havia pedido.

Seis meses depois ele pediu baixa, achava que a carreira militar não era para ele.

Metade



Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste,
e que o convívio comigo mesmo
se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também

Composição: Oswaldo Montenegro

[Tributo à Mysha, filha, amiga e modelo de ser humano. "Luz de meus olhos" e "Meu sangue, minha querida".]

Faze-o novamente, Senhor!

Uma oração para momentos de aflição:

Querido Senhor

A nossa esperança ainda é a de despertarmos. A nossa esperança ainda é a de abrirmos os olhos sonolentos e pensarmos: que sonho horrível. Como isso pôde ter acontecido? Estamos tristes, Pai.

E por isso nos achegamos a ti. Não pedimos ajuda a ti; nós a suplicamos. Não pedimos; imploramos. Sabemos o que tu podes fazer. Lemos as historias. Refletimos nas historias e agora suplicamos: “Faze-o novamente, Senhor. Faze-o novamente”.

Tu te lembras de José? Tu o resgataste do poço. Tu podes fazer o mesmo por nós. Faze-o novamente, Senhor.

Tu te lembras dos hebreus no Egito? Tu protegeste seus filhos contra o anjo da morte. Temos filhos também, Senhor. Faze-o novamente.

E Sara? Tu te lembras de suas orações? Tu as ouviste. Josué? Tu te lembras de seus medos? Tu o inspiraste. E as mulheres no tumulo? Tu ressuscitaste sua esperança. As duvidas de Tomé? Tu as levaste embora. Faze-o novamente, Senhor. Faze-o novamente.

De cativo, tu transformaste Daniel em um conselheiro do rei. Tomaste Pedro, o pescador, e o fizeste Pedro, o apostolo. Por causa de ti, Davi deixou de conduzir ovelhas para conduzir exércitos. Faze-o novamente, Senhor, pois precisamos de conselheiros hoje; precisamos de apóstolos; precisamos de lideres. Faze-o novamente, querido Senhor.

Sobretudo, faze novamente o que fizeste no Calvário. O que vimos nesta tragédia, tu viste ali naquela sexta-feira. A inocência acabou. Deus estava sofrendo. Mães estavam chorando. O mal estava dançando. Assim como as sombras caíram sobre nossos filhos, a escuridão caiu sobre o teu Filho. Assim como nosso mundo se despedaçou, o Filho da Eternidade foi transpassado.

E, ao anoitecer, a canção mais doce do céu foi o silencio, enterrado atrás de uma pedra.

Mas tu não hesitaste, ó Senhor. Tu não hesitaste. Depois de seu Filho permanecer por três dias em um buraco escuro, tu rolaste a pedra, bradaste na terá e transformaste a sexta-feira mais escura no domingo mais brilhante. Faze-o novamente, Senhor. Transforma este Calvário em Páscoa.

Obrigado por estas horas de oração.

Que tua misericórdia seja sobre todos os que sofrem. Concede aqueles que nos conduzem uma sabedoria que vá alem de seus anos e experiência. Tem misericórdia das almas que partiram e dos feridos que ficaram. Dá-nos graça para que possamos perdoar e fé para que possamos crer.

E olha com bondade para a tua igreja. Por dois mil anos tu a tens usado para curar um mundo ferido.

Faze-o novamente, Senhor. Faze-o novamente.

Por meio de Cristo, amém.

[Fonte: Max Lucado. Dias melhores virão. Thomas Nelson. Adaptado de uma oração escrita para a America Prays, uma vigília de oração pelo país em 15 de setembro de 2001.]

Um vislumbre de Jesus


Os dicionários definem um maltrapilho como um “esfarrapado”, “roto”, “pelintra”, “mendigo”, “um pedinte”. Mas a definição bíblica de maltrapilho vai muito além, como mostra qualquer exame rápido das Escrituras.

Ao passearmos tranqüilamente pelos corredores da história da salvação, observamos que Deus sempre demonstrou um afeto especial pelos pobres e pequeninos, pelos humildes de coração. Desde o instante em que a teocracia é formada, no monte Sinai, Javé quis de Israel a compreensão de que ele esperava algo mais de seu povo eleito que a mera observância externa à lei mosaica. Com o passar dos anos, foi ficando cada vez mais evidenciado para os israelitas o fato de serem exatamente os maltrapilhos (os anawim — literalmente, “pequenos e pobres” —, como eram chamados em hebraico) o objeto especial da ternura e da compaixão de Deus.

A princípio, o termo maltrapilho tinha contornos somente sociológicos ou econômicos. Os maltrapilhos eram os desabrigados, os sem-terra, os meninos e as meninas de rua, os despojados, a quem um dia Deus tornaria novamente prósperos. Mais tarde, com a influência do profeta Isaías, o termo adquiriu sentido espiritual de enorme profundidade. O ministério de Isaías iniciou-se com uma visão de Deus “assentado num trono alto e exaltado [...]. Acima dele estavam serafins [...]. E proclamavam uns aos outros: ‘Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos...’”. A visão deixou em sua alma uma marca incandescente e indelével: Deus é totaliter aliter, Totalmente Outro. Os sentimentos humanos não podiam tocá-lo, e o pensamento humano não era capaz de contê-lo. Como Charles de Foucauld aprendeu no momento de sua conversão: “Deus é tão grande que há uma distância infinita entre Deus e tudo o que não é Deus”.

A idéia do mistério é ainda desconcertante para boa parte das mentes modernas, mas constitui a pulsação dos profetas e dos santos de todas as eras. Eles sabem que Deus pode fazer qualquer coisa e agirá desde que os homens e as mulheres sejam suficientemente humildes para reconhecer que necessitam dele.

Os profetas posteriores, seguindo os passos de Isaías, chamaram a essas pessoas simples e humildes anawim ou, transpondo para um conceito que possamos entender hoje: “maltrapilhos”. Foi assim que os vocábulos relacionados à pobreza deixaram de ter sentido exclusivamente econômico para também abarcarem nuanças espirituais. No alicerce dessa mutação, estava o princípio de Isaías: Deus executa seus atos divinos somente quando as pessoas reconhecem a insuficiência humana delas próprias (ou, no linguajar dos AA, sua “impotência humana”). Os verdadeiros amigos de Deus foram aqueles que se sentiram realmente pobres diante dele. Perceberam que o ato mais fundamental da religião era o fato de deverem a vida e o próprio ser a Outro. A dependência e a rendição amorosa consistiam para eles próprio fôlego de vida. Os maltrapilhos eram os pobres em espírito, pequenos aos próprios olhos, cientes de sua nudez e pobreza diante de Deus, por isso mesmo entregando-se sem reservas a sua misericórdia.

Era esse o espírito que Deus procurava em seu povo; é a única atitude que condiz com a condição de criatura própria do ser humano. Alia um senso de impotência da pessoa com uma confiança infalível no amor de Deus e uma rendição total à orientação de sua vontade. Os maltrapilhos eram na realidade o remanescente, o verdadeiro Israel para quem as promessas messiânicas haviam sido feitas.

Quando por fim o Filho de Deus abre as cortinas da eternidade e lá em Belém finca o pé na história humana, os que dão o passo de encontrá-lo são os verdadeiramente pobres em espírito: José, Zacarias e Isabel, Simeão e Ana, os pastores e os magos. Esses formaram sua corte, o remanescente sagrado de maltrapilhos prometido pelos profetas. Muito antes, porém, o olhar de Deus havia repousado com afeição especial sobre Maria, a jovem judia de Nazaré. Ninguém era mais verdadeiramente pobre em espírito, tão profundamente ciente de necessitar dele, tão inteiramente rendido a sua vontade. Foi por isso que ele a escolheu para ser a mãe do Messias — o menor e mais humilde na longa sucessão de maltrapilhos.

Como era de esperar, quando Jesus começa seu ministério profético, de imediato identifica o espírito de maltrapilho que havia nele: “... aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração...”. E que dizer do primeiro grupo chamado para o reino? “Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus.”

Meditações para maltrapilhos consiste numa série de reflexões escritas num espaço de 22 anos — anos de alegria e sofrimento, de fidelidade e infidelidade, de compromisso intenso e graves recaídas, de vida desordenada e esforço intenso por ser fiel a Jesus. Compartilho essas reflexões com um alvo específico em mente: não desejando transmitir pensamentos inspiradores, mas esperando despertar, ressuscitar e reavivar uma confiança radical e inamovível no Deus representado em forma corpórea no Carpinteiro de Nazaré. Creio piamente que o esplendor de um coração humano que confie na verdade de ser amado de modo incondicional confere maior prazer a Deus e lhe traz mais deleite do que a catedral mais magnífica jamais erigida ou o órgão mais estrondoso jamais tocado.

Confiar de forma inabalável hoje num maltrapilho é algo extraordinário, porque em geral exige um grau de coragem que chega às raias do heroísmo. Quando a sombra da cruz de Cristo recai sobre as pessoas na forma de fracassos, pesares, rejeição, abandono, desemprego, solidão, depressão, a perda de um querido; quando ficamos surdos a tudo o mais, exceto ao bramido estridente da nossa própria dor; quando o mundo ao redor repentinamente se apresenta como um lugar ameaçador e hostil, bem podemos bradar de angústia: “Como um Deus de amor permite que isso aconteça?”. E assim é lançada a semente da desconfiança, obrigando-nos a uma situação de escolha: nos afastaremos de Deus, ou nos voltaremos em direção a ele mesmo quando a escuridão o esconde de nossa visão? Escolher a luz de Deus na noite escura do desespero é um ato heróico de coragem.

Continuo a deparar com essa escolha nos momentos mais sombrios, solitários e desalentadores de minha vida. Ao convidá-lo a unir-se comigo nessa viagem de maltrapilho, não peço mais de você do que peço de mim mesmo: que confie no amor de Deus não importando o que nos aconteça.

Brennan Manning

[Apresentação feita pelo autor do livro Um vislumbre de Jesus, Editora Palavra, 1ª edição, 201 páginas.]

A Volta do Filho Pródigo(Gerson Borges)



Um dia deixei você,
quando fui ingrato e mal.
Nem ao menos agradeci
seu amor, o seu carinho.

Um dia, deixei você
e achei tudo tão normal.
Ninguém sabe o que é sofrer
até descobrir sozinho.

Longe de casa, longe de casa,
dura pouco a ilusão. Longe de casa,
longe de casa,
adoece o coração
e não há ninguém por perto,
longe de casa é um deserto.
Longe de casa, longe de casa,
só há solidão.

Pai, eu te abandonei,
quanta coisa destruí!
Mas agora aprendi
que esse mundo é perigoso.

Eu quero recomeçar,
levantar onde caí.
Eu tô cansado de mendigar
tendo um pai tão amoroso!

Longe de casa, longe de casa,
dura pouco a ilusão.
Longe de casa, longe de casa,
adoece o coração
e não há ninguém por perto,
longe de casa é um deserto.
Longe de casa, longe de casa,
só há solidão.

[Hoje é meu aniversário, e este é para me lembrar que eu sou um maltrapilho cansado de carregar a mala pesada de minha vida, eu sou um mendigo de vestes rotas que ainda come bolotas com os porcos, mas eu tenho um pai(Abba) que está sempre me esperando quando findam todas as minhas idas e vindas, e no dia em que estas jornadas terminarem definitivamente, receberei Seu abraço e sei que Ele fará uma festa em comemoração ao meu regresso. Voltarei Pai! Já estou na estrada de volta para Teus afáveis braços.]

Pai

Pai!

Pode ser que daqui a algum tempo
Haja tempo prá gente ser mais
Muito mais que dois grandes amigos
Pai e filho talvez...

Pai!
Pode ser que daí você sinta
Qualquer coisa entre
Esses vinte ou trinta
Longos anos em busca de paz...

Pai!
Pode crer, eu tô bem
Eu vou indo
Tô tentando, vivendo e pedindo
Com loucura prá você renascer...

Pai!
Eu não faço questão de ser tudo
Só não quero e não vou ficar mudo
Prá falar de amor
Prá você...

Pai!
Senta aqui que o jantar tá na mesa
Fala um pouco tua voz tá tão presa
Nos ensine esse jogo da vida
Onde a vida só paga prá ver...

Pai!
Me perdoa essa insegurança
Que eu não sou mais
Aquela criança
Que um dia morrendo de medo
Nos teus braços você fez segredo
Nos teus passos você foi mais eu...

Pai!
Eu cresci e não houve outro jeito
Quero só recostar no teu peito
Prá pedir prá você ir lá em casa
E brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estar

Ah! Ah! Ah!...

Pai!
Você foi meu herói meu bandido
Hoje é mais
Muito mais que um amigo
Nem você nem ninguém tá sozinho
Você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz

Pai! Paz!...

Composição: Fábio Jr.

[Este é um canto que desde pequeno me fazia sentir um aperto no peito, hoje que eu não tenho mais a tua companhia, torna o aperto insuportável, dói a saudade, dói tua falta, dói a ausência de teu sorriso. Até breve pai, até breve profeta, até breve herói. Hoje completarias 71 anos, este é para que os 05 longos anos de tua partida se encurtem.]

A Cabana de William P. Young


Comecei a reler este livro, há pouco mais de um mês eu o li pela primeira vez, não consegui segurar a ansiedade e já estou de volta à leitura. O livro está na lista dos mais vendidos da Veja no Brasil e nas listas dos principais veículos de comunicação dos EUA, o pop-star Michael W. Smith deu a seguinte opinião sobre este livro:
"Esta história deve ser lida como se fosse uma oração – a melhor forma de oração, cheia de ternura, amor, transparência e surpresas. Se você tiver que escolher apenas um livro de ficção para ler este ano, leia A cabana."
Concordo plenamente com ele, sinto-me até ousado em tentar acrescentar algo, mas não consigo resistir, fui tomado pela mesma alegria indizível que tive ao ler O Evangelho Maltrapilho, meu peito apertou demais, às vezes não consegui resistir e chorei muito, confesso que nas primeiras 60 páginas eu fiquei tão deprimido, que eu queria continuar a ler, mas queria também parar, a dor de Mack era tão concreta que tornou-se minha dor. Li de uma "sentada", e após algumas horas ainda estava com uma sensação de êxtase, como se não estivesse na terra.

Dei esse livro de presente à minha filha Mysha com 13 anos, o livro sugere que seja presenteado às pessoas que mais amamos (não acho que seja um questão de marketing, é uma questão de compartilhar a Graça), e ela perguntou se era verídico, eu respondi que torcia que fosse, pois é bom demais para não ser verdade. O único comentário que ela fez após suas incontáveis lágrimas era do desejo de que o livro virasse um filme.

A Cabana foi publicado nos EUA por uma editora pequena, que não alcançou o status de gigante ainda, surpreendeu à crítica, à editora e talvez ao próprio autor, não foram criadas muitas estratégias de marketing, mesmo assim o livro já figura como uma dessas raridades que contagia o público, que entusiasmado sai indicando para todos os amigos e colegas, e vai aos poucos se tornando um fenômeno de vendas. Eu mesmo já recomendei a diversos amigos que presenteassem o livro no fim de ano, a mídia já previa que comprá-lo para presentear em amigo secreto seria a tendência para este verão, acrescento ainda que talvez seja um dos melhores presentes que se possa dar a alguém. E este monólogo nada mais é que uma forma de humildemente propagá-lo um pouco mais. O livro já ultrapassa a cifra de dois milhões de exemplares vendidos apenas nos EUA. A imprensa, sempre desconfiada de histórias com forte teor religioso e por que não dizer doutrinário, demonstra ter gostado também. Só discordo quando ela considera que este livro é de auto-ajuda, acho que não sabe classificar um livro.

A história tem um mote: um acontecimento trágico que ocorreu durante uma viagem de fim de semana, essa viagem, bem programada, era pra ter sido repleta de diversão e alegria, porém uma tragédia marca para sempre a vida da família de Mackenzie Allens: sua filha mais nova, a adorável, doce e reflexiva Missy(adjetivo que lembra perdida em inglês), desaparece misteriosamente, indicíos que foi raptada surgem durante as buscas. Depois de exaustivas investigações, algumas poucas evidências de que ela teria sido assassinada são encontrados numa cabana abandonada e essas evidências levam a crer que que ela foi brutalmente assassinada por algum maníaco sexual.

Os quatro anos seguintes é um misto de inferno de Dante com o Armagedon Apocalíptico, ele passa a viver numa tristeza profunda causada pela culpa de não ter conseguido proteger a sua pequena filha e pela saudade incurável que sente dela, imerso numa dor profunda e paralisante, que todos nós conhecemos bastante, Mack entrega-se ao que ele chama de a Grande Tristeza, um estado de torpor, ausência deliberada e raiva que, mesmo após tanto tempo do desaparecimento da menina, insiste em não diminuir, tornou-se companheira, tornou-se amiga, tornou-se até uma razão para viver. Este estado é muito parecido com que os Pais do Deserto denominavam de Acedia, um estado melancólico de indiferença às coisas bela da vida e à própria vida.

Mack recebe numa noite solitária e fria um estranho bilhete, que tem como remetente um tal de "Papai", essa alusão não traz boas lembranças para ele, uma vez que seu relacionamento com seu pai sempre foi tumultuado e por vezes ele só sentia ódio do seu pai bêbado. Porém a esposa e os filhos de Mack usam esse título para Deus. A mensagem escrita era um convite para voltar à cabana onde aconteceu a tragédia. Tal bilhete só poderia ter sido escrito por um maníaco sádico que não se importava com os sentimentos de ninguém.

Relutante e eivado de dores e péssimas lembranças, além de um ressentimento muito grande com uma pitada de desconfiança ele vai ao local do crime numa tarde de inverno, talvez procurasse uma maneira de aplacar o seu sofrimento, nada melhor que olhar nos olhos de nossos demônios para fazer com que percamos o medo deles, a sensação que passa é de alguém que quer rever algo que causou uma dor muito profunda e que está tão cativo daquela dor que quer passar de novo por ela, a dor tornou-se necessária, uma verdadeira obsessão. Ele aproxima-se pausadamente do local mais assustador para sua alma, palco onde seu mais terrível pesadelo foi encenado. O que encontrará alí, mudará o seu destino e dos que o cercam para sempre.

Ao entrar na Cabana ele enfrenta todos os piores pesadelos que se pode imaginar, todos os medos, todos os demônios, todos de uma vez só, sem subterfúgios, sem ter para onde correr, porém em meio a tudo isso ele tem uma surpresa, talvez não seja tão surpreendente assim, Deus, Jesus e o Espírito Santo estão à sua espera para o que se poderia chamar de "acerto de contas" e, com imensa benevolência, compreensão e compaixão, dialogam com Mack sobre vida, morte, dor, perdão, fé, amor e redenção, fazendo-o compreender alguns dos episódios mais tristes de sua história.

Ele tem então essa experiência ímpar de conversar, chorar e até mesmo de xingar, se fosse o caso, o principal responsável pela perda de Missy, o próprio Deus, o que surpreende não e a presença divina naquela cabana, mas sim a forma que essa trindade se manifesta, emana, é o que se pode chamar de versão triúna escandalosa, bastante estranha, mas nem por isso menos acolhedora, Ela, a Trindade, está pronta para responder a todos os questionamentos de Mack e ainda se oferecer para curar a sua alma. Deus pai aparece como uma acolhedora dona-de-casa negra (segundo um articulista da Veja, parece uma mistura do misterioso Oráculo, da série Matrix, com a ama carinhosa de E o Vento Levou...), o Espírito Santo é uma diáfana, bastante estranha, mulher oriental e Jesus é um jovem carpinteiro que faz piada sobre o próprio narigão judaico, no melhor estilo de sátira. Como ficar irritado e se afastar de personagens assim? Além do mais, Papai (estranho chamar uma mulher assim) gosta de soltar umas piadinhas meio sem graça. Algo que transparece desde a primeira vez que aparece é a idéia que o seu colo é bastante convidativo para cabeças que não reclinam há muito tempo, para rostos que há muito não choram porque as lágrimas já secaram. Este estranho "acerto de contas" se dá no palco da dor, uma metáfora de Young para o fato de que para alcançar a cura, precisamos sentar à mesa com nossas dores e medos e olhá-los nos olhos. É com imensa benevolência que Papai, Sarayu(Espírito Santo) e o alegre e bondoso Jesus travam com Mack iniciam o processo de cura, revirando feridas, desatando as ataduras e colocando as feridas ao ar livre, para serem definitivamente curadas, mas só após serem expostas. Quem não gostaria de um encontro como esse? 

A Cabana é para mim uma metáfora de uma discussão muito antiga: como conciliar a bondade de Deus com tanta injustiça, dor e violência? E o que é mais incompreensível ainda: como conciliar que Ele seja tão poderoso se coisas más acontecem? Em curtas palavras, ou Deus é bom ou é Poderoso, pois o mundo não permite as duas coisas ao mesmo tempo. Como então equacionar as contradições da vida? Se Deus é poderoso por que permite que coisas más aconteçam? Deus é bom, porém não tem tanto poder assim e o mundo é cruel e injusto, e Ele não pode fazer nada. Estas são as discussões que A Cabana desperta.

Mack, como eu e você, como tantos bilhões de seres humanos diante das muitas dores profundas e dilacerantes que assolam à alma mais do que ao corpo se questiona: Se Deus é tão poderoso, por que não faz nada para amenizar o nosso sofrimento? A tendência de quem só consegue pensar assim é se afastar de um ser que não se importa, não é melhor ficar distante de alguém impassível? Por isso que nos distanciamos tanto de Deus, não conseguimos conviver com sua aparente e irritante impassibilidade. Ficamos do lado de Mack, por que o vemos inocente, não vemos nenhum aparente erro em sua vida que justifique tal sofrimento, mas a pergunta aqui é: e os que cometeram erros em suas vidas, esses mereceriam ter o sofrimento atenuado? A misericórdia é justa?

A leitura é de uma intensidade que chega a doer, mas é bastante sensível, e com certeza é profundamente transformadora. O livro nos leva a refletir sobre o amor e o poder de Deus, sobre o sentido da dor, do sofrimento e das dúvidas. Permite que aqueles que desconfiam do amor de Deus possam olhar de novo para Ele, não como um juiz, mas como um Pai desesperado de amor. O livro deve ser lido por todos, principalmente para aqueles que, como eu, estão há tanto tempo dentro da Cabana que não sabem onde é a saída, mas sabem que ela existe, mesmo que demore achar, quando a achar será uma pessoa melhor, para aqueles que olham de fora para a Cabana com terror e medo possam olhar como um processo inevitável em busca de cura.

Como disse um poeta cristão tempos atrás: "Não me negue o sofrimento se for para te encontrar Jesus...", peço a Papai que me tire da Cabana escura e fria, quando eu tiver que sair dela, não quando eu quiser sair dela.

[Este é para Jennyfher, amiga e companheira, que descobriu na sua própria Cabana que Abba, Papaizinho, está lá, cuidando de suas dores, de suas tormentas e com a mão na maçaneta, pronto para abrir a porta].