Lição de Mãe!

Maio, o mês das mães, para mim é de nostalgia, de lembranças, algumas ruins, outras boas, outras melhores. Época de lembrar da infância, do colo da mãe, dos afagos, dos abraços afetivos, de coisas que trazem à memória bons momentos vividos, que já não voltam mais: Bolo de fubá com uma xícara de café torrado fumegando, papa de aveia, o círculo em volta do lampião e as histórias de João e Maria, contadas com maestria por meu pai, muito embora ele aumentasse tanto, que não sabíamos como era o conto verdadeiro, balanço na rede nas madrugadas de dor de dente, dos curativos carinhosos nas feridas advindas das traquinagens, da vez que peguei minha mãe orando de olhos fechados e segurei bem forte seu nariz, dando-lhe um baita susto.

Porém uma das coisas que mais me deixa saudoso é quando relembro da hora de dormir, numa casa no Sítio do Limão em Monteiro, no sertão paraibano onde nasci. A noite poderia ser fria ou quente, com belo luar ou chuvosa, estando com saúde ou doentes, sempre, ajoelhados à beira da cama: eu e meus três irmãos cantávamos com D. Marilene, minha mãe, a canção de ninar mais bela que eu conheci, então orávamos pedindo proteção divina, era um som mavioso, inefável e indizível sensação: “Finda-se este dia que meu Pai me deu; sombras vespertinas cobrem já o céu, Ó Jesus bendito, se comigo estás, eu não temo a noite: vou dormir em paz...”.

Não há como calcular o efeito que a canção causava no coração inseguro e temeroso de uma criança de cinco anos. Qualquer ruído, qualquer sombra que se movia, qualquer estalo no telhado provocavam um sobressalto, traziam consigo a insônia. Só mesmo a lembrança da canção para acalmar o coração e poder dormir. Por força da ocupação de meu pai, que estava ausente todas as noites, o temor se acentuava, temia por nós que estávamos em casa, como por ele que estava fora desprotegido, só mesmo confiando no Pai Eterno para poder dormir e descansar, acreditando que pela manhã o veria de novo e que estaríamos em paz.

Muito tempo depois, quando os temores da infância que a escuridão noturna trazia junto a si, já não me assustavam mais, ouvia a voz dela cantando mais uma estrofe: “... Guarda o marinheiro no violento mar, e ao que sofre dores queiras confortar, ao tentado estende Tua mão, Senhor; manda ao triste e aflito o Consolador...”, eu tinha ingressado na Marinha e a canção era atual, tinha vencido o tempo. Ensinei-a para minha filha Jessicah quando alegou que estava sem sono, preocupada com os estranhos ruídos da rua: ”... Ó Jesus, aceita minha petição, e seguro durmo, sem perturbação”. Calma e serena, reclinou a cabeça e dormiu a sono solto. Ela entendeu a mensagem.

Agradeço à minha mãe, que me ensinou a confiar no Pai Supremo e que com seu exemplo me fez desejar tê-Lo por meu Pai também. E isto é melhor que bolo de fubá com café torrado bem quente.

As correntes escatológicas

Quando pequeno, fui educado por um santo pastor que era pré-milenista e eu não consegui entender bem as posições dele nessa área, por achá-lo muito fantasioso, muito embora amasse ouvi-lo pregar. Depois que amadureci, defini-me como amilenista, porém qual é realmente a posição bíblica? 

Diz Elias medeiros: "….Nós, cremos que a Bíblia responde às questões básicas levantadas em todas as épocas e em todos os lugares. Entretanto, a questão que está sempre presente na mente e no coração de todos os seres humanos é a questão relacionada com o futuro. "O passado a gente conta, o presente a gente curte, e o futuro a gente tenta adivinhar". Esta parece ser a filosofia da maioria das pessoas e de várias religiões…" 

Ele faz então um balanço sobre uma linha imaginária, traçada por toda a história da igreja, antevendo assim, como pensava escatologicamente a igreja: "…Historicamente falando, a igreja protestante tem passado por épocas nas quais pode-se detectar a falta de um balanço escatológico. Algumas vezes, a igreja se mostrava tão apegada ao presente, que dava pouca atenção ao futuro. Outras, a igreja se apegava tanto ao passado, que chegava a esquecer de sua relevância para o presente e de seu destino futuro…" 

Continua ele ainda falando sobre essas nuances eclesiásticas e temporais do pensamento escatológico: "…A história da escatologia cristã em geral reflete essa batalha entre o passado, o presente e o futuro. Vários teólogos evangélicos protestantes têm escrito sobre o assunto. A história da igreja tem revelado que, durante os primeiros cinco séculos, os cristãos não se preocupavam muito em desenvolver uma doutrina escatológica. É bom ressaltar, entretanto, que a ausência de um dogma sistematicamente formulado nunca significou a ausência de crenças e esperanças escatológicas. Pelo contrário, durante os primeiros cinco séculos os cristãos criam na vida após a morte, na segunda vinda do Senhor Jesus, na ressurreição dos mortos, no julgamento final, em tribulações e na criação de um novo céu e de uma nova terra. Mas a escatologia, como doutrina sistematizada, tal qual nós a temos hoje, não foi desenvolvida durante aquele período. Basta lermos o credo apostólico para percebermos essas crenças, porém sem um desenvolvimento cronológico ou sistemático da doutrina…" 

Mesmo durante a Idade Média, até o início da Reforma Protestante, os cristãos daquela época também criam nesses ensinos, mas havia "pouca reflexão sobre a maneira pela qual" os fatos se desenvolveriam, especialmente sobre o aspecto cronológico da escatologia bíblica. O que não deixa muito a desejar às escolas de hoje, visto que um dos pomos de discórdia é justamente esse: A falta de sincronia no ordem dos acontecimentos. 

"…Já os reformadores protestantes sem dúvida refletiram mais sobre a questão escatológica. Em parte, foram motivados pela disputa teológica com a Igreja Católica, que ensinava o purgatório, por exemplo. Os teólogos reformados, portanto, fizeram muita ligação entre a escatologia, a soteriologia (a glorificação dos salvos) e a eclesiologia (a igreja triunfante etc)…" Acrescenta Medeiros. 

Na atualidade, o racionalismo, o evolucionismo, o existencialismo, juntamente com o liberalismo teológico, provocaram uma reflexão mais profunda por parte dos protestantes ortodoxos, já que todos aqueles ismos atacavam todo tipo de ensino sobre a certeza de alguma realidade futura. Berkhof e outros protestantes reformados reconheciam que o liberalismo teológico ignorava totalmente os ensinos escatológicos do próprio Jesus Cristo, colocando toda a ênfase simplesmente nos preceitos éticos do Senhor. O racionalismo, o evolucionismo e o existencialismo filosófico, por sua vez, desconsideram qualquer ensino escatológico: na melhor das hipóteses, a escatologia bíblica não passa de uma utopia mitológica. Para alguns esse pensar escatológico é um ópio alienante, que faz com que o crente, desprenda-se de seus problemas e dos problemas sociais humanos e pense apenas no Celeste Porvir, o que lhe ajuda a não tentar mudar nada, visto que breve Jesus virá!

Os protestantes evangélicos, entretanto, baseados no ensino da Palavra de Deus, crêem na vida após a morte, na segunda vinda do Senhor Jesus, na ressurreição dos mortos, no julgamento final, na criação de um novo céu e de uma nova terra. Em outras palavras, os protestantes conservam as mesmas crenças que os demais cristãos que aceitam as Escrituras Sagradas como única e última regra infalível de fé e prática. Mas o fato de crerem nessas doutrinas não significa que todos os protestantes as aceitem do mesmo modo, em relação à forma como elas se cumprirão. Assim, há uma variada divergência hermenêutica no meio protestante, com pelo menos três escolas de interpretação: aminelista, pós-milenista e pré-milenista.

Continua Medeiros: "…Os amilenistas como L.Berkhof, O.T. Allis, G.C. Berkhouwer e outros crêem que as Escrituras Sagradas não fazem nenhuma distinção cronológica entre a segunda vinda de Cristo, o arrebatamento da igreja, e a participação do crente no novo céu e na nova terra. Para os amilenistas haverá apenas uma ressurreição geral dos crentes e dos incrédulos, a qual ocorrerá durante a segunda vinda de Cristo. O julgamento final será para todos os povos. A tribulação é algo que experimentamos na presente era. O milênio referido nas Escrituras (Apocalipse 20) não significa um milênio literal, pois o reino de Deus, inaugurado visivelmente com a primeira vinda do Senhor Jesus, continua espiritualmente presente, embora invisível (invisibilidade não é sinônimo de inexistência), e será consumado com a segunda vinda visível do Rei da Glória. Entramos neste reino pela fé (João 3). Para os amilenistas as Escrituras não fazem distinção entre a igreja no Velho Testamento (Israel) e a igreja do Novo Testamento ("o novo Israel", composta de circuncisos e incircuncisos)…"

Define ele ainda: "… Os pós-milenistas, como Charles Hodge, B.B. Warfield, W.G.T. Shedd, e A.H. Strong, crêem que a segunda vinda de Cristo ocorrerá após o milênio (não literal). A era presente se misturará com o milênio de acordo com o progresso do evangelho no mundo. Em geral, os pós-milenistas assumem a mesma postura amilenista com relação ao ensino da ressurreição, do julgamento final, da tribulação e da posição sobre Israel e igreja…"

Continua em suas definições:"…Os pré-milenistas se dividem em dois grupos principais: os pré-milenistas históricos (como G.E.Ladd, A.Reese e M.J.Erickson) e os pré-milenistas dispensacionalistas (como L.S. Chafer, J.D. Pentecost, C.C. Ryrie, J.F. Walvoord e Scofield).

"Os pré-milenistas históricos crêem que a segunda vinda de Cristo para reinar nesta terra e o arrebatamento da igreja acontecerão simultaneamente; haverá a ressurreição dos salvos no início do milênio (a primeira ressurreição) e a ressurreição dos incrédulos no final do milênio. O milênio, entretanto, na posição pré-milenista histórica, é tanto presente como futuro. No presente, Cristo reina nos céus. No futuro, Cristo reinará na terra, embora os pré-milenistas históricos em geral não considerem o período da tribulação e façam uma certa distinção entre Israel e igreja (o Israel espiritual).

Os pré-milenistas dispensacionalistas ensinam que a segunda vinda do Senhor Jesus acontecerá em duas fases: na primeira, o Senhor Jesus se encontrará com a igreja nos ares, levará os salvos para participar das bodas do Cordeiro nas regiões celestiais; e, após sete anos de tribulação na terra sem a presença da igreja, regressará com ela para reinar neste mundo por mil anos. Eles fazem uma distinção entre a ressurreição para a igreja, na ocasião do arrebatamento, a ressurreição para aqueles que virão a crer durante a tribulação de sete anos (ressurreição esta que ocorrerá na segunda vinda do Senhor, no final da tribulação) e a ressurreição dos incrédulos no final do milênio.

Os pré-milenistas dispensacionalistas fazem, também, uma distinção entre o julgamento dos crentes após o arrebatamento, o julgamento de judeus e gentios convertidos no final da tribulação de sete anos e o julgamento dos incrédulos no final do milênio. Sem dúvida, para os membros desta escola de interpretação, os sete anos de tribulação será literal, mas a igreja neo-testamentária será arrebatada antes dessa tribulação. O milênio será inaugurado e estabelecido com a segunda vinda do Senhor Jesus, após a tribulação e durará, literalmente, 1.000 anos. Sem dúvida, esta posição distingue completamente Israel e igreja…"

De todas essas perspectivas protestantes, a meu ver, a que mais se coaduna com a exegese bíblica é a posição amilenista. O Pré-milenismo, se parece muito com os roteiros Hollywoodianos, muitos fantasiosos. Pessoalmente creio que esta posição é a mais condizente com o ensino dos profetas, do Senhor Jesus e dos apóstolos, tanto hermenêutica quanto exegeticamente falando (Mateus 24-25).

Se o leitor estudar com mais afinco essas posições escatológicas, poderá perceber suas implicações imediatas no que tange à evangelização mundial e ao envolvimento da igreja nas questões sociais e políticas de nossa era. A posição escatológica mais fraca, em termos hermenêuticos e exegéticos, é a posição pré-milenista, devido à sua grade cronológica pré-estabelecida. Os pré-milenistas, em geral, começam com um quadro cronológico pré-estabelecido e passam a fazer uma "cirurgia textual" nas Escrituras, de acordo com o quadro já pré-desenhado por eles.

Falou e disse reverendo.
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P.S.: Encontrei este texto que eu nem lembrava de ter comentado num site na web, ainda que tenha mudado minha linha de raciocínio desde então, resolvi preservá-lo, por uma questão de honestidade. A data da concepção deste texto deve ter sido em algum mês do ano de 2002 ou 2003!

Por que prosperam os EUA?

No século passado o piedoso inglês, Martin Lloyd-Jones, clérigo presbiteriano, de larga fama por conta de sua competência profissional como médico de corpo e médico de almas, escreveu um livro sobre o Salmo 73(72) que se tornou um best-seller, decantado bastante também deste lado do Atlântico, o livro é fruto de uma observação acurada e de uma dependência do Espírito nas conclusões a que chega: Por que prosperam os ímpios?(Editora PES) Nele o autor analisa a vivência cúltica e litúrgica do poeta que compôs essa canção e atualiza-a para nossos dias. Tomo-o como leme ao escrever este artigo.

O que mais complica no salmo citado é: "... Para eles não existem tormentos, sua aparência é sadia e robusta(...) Não são molestados como outros. Daí a soberba, cingindo-os como colar, a violência, envolvendo como veste(...) seu coração transborda de maus projetos..." (Bíblia de Jerusalém) Onde o autor lamenta cantando uma verdadeira elegia, uma belíssima canção de tristeza, de luto, que eles, os impiedosos, não dependem de Deus para nada e vivem melhor do que os humildes e penitentes que se rendem aos pés d'Ele, crendo que a Sua providência basta para a sua subsistência. Lamenta isso e queixa-se diante de Deus. Boa coisa queixar-se a Deus e não se queixar de Deus. Ato contínuo ele diz que entrou no santuário divino e só então entendeu o destino deles, dos ímpios: "... De fato, tu os pões em ladeiras, tu os fazes cair, em ruínas...".

Deus soluciona o mistério: a aparente tranqüilidade advinda da riqueza e da opulência que tais nações ou pessoas possuem, é reflexo de um alçapão armado por Deus para reduzi-las ao pó. Garante que elas adormeçam e fiquem passivas, passividade e adormecimento. Tais riquezas não seriam, portanto, benefícios divinos, ou no dizer bíblico: Bênçãos Divinas.

Comparo esta terrível conclusão, com a posição ocupada hoje pelos EUA: encastelados por suas riquezas, intocáveis por suas armas, abastecidos por seus mananciais tecnológicos, é a terra que mana computadores e softwares, conduzidos com mão férrea por um político de sanidade duvidosa, que além de tudo é xenófobo, que procura justificar o seu imperialismo avassalador com frases bíblicas e com sua filiação a um credo religioso cristão, muito embora o credo não tenha culpa das insanidades dele, a Igreja Metodista a qual pertence é uma instituição séria, inclusive é contra a guerra. Ele renasce o Macartismo e o Destino Manifesto. Usa a tática da ameaça velada, da inibição, agora é a Síria que tem armas químicas.

Cadê as do Iraque? Será que os cientistas americanos ainda as estão forjando para poderem apresentar ao mundo? Terrorista da primeira hora!

São as cruzadas renascidas, só que essas não têm apoio de nenhum credo sério e sóbrio mundial. (Apenas teólogos do quilate de Max Lucado, John McArthur e Bob Jones o apóiam, se eu não os lia por achar que a teologia deles é enlatada, percebo agora que a ética e o compromisso cristão com a paz não ficam atrás. Dá vontade de perguntar: Quanto ganharam ou ganharão para isso? Boicotarei com muito prazer seus livros, primeiro porque os livros não são grande coisa, segundo porque eles precisam rever a fé e a ética, não são exemplos no momento para ninguém) A pilhagem que os pobres iraquianos começaram, não se compara com a que será promovida pelos EUA e seus aliados, ou melhor, vassalos e comensais.

Porém, essa tranqüila posição mundial que hoje desfruta os EUA, não seria uma armadilha? Não seria uma forma de sutilmente empurrá-los para a beira do precipício sem que eles percebam? Não seria o laço do passarinheiro? Não tenho muita dúvida quanto a isso. Deixemos pois que durmam!

O gigante opulento dorme de barriga cheia, roncando alto, sem sentir falta de nada, enquanto o laço se aperta nos seus pés. O texto diz que só podemos entender essas verdades, quando entramos no santuário divino. Todos os grandes impérios ruíram: assírio, babilônico, medo-persa, grego, romano, germânico, napoleônico, Terceiro Reich. Por que seria diferente com os EUA?

Diário de Pernambuco Edição de Sexta-Feira, 25 de Abril de 2003

Testemunho fiel

Cantando: "... quer nas lutas, quer nas provas, a igreja sempre caminhando...", no próximo dia 26, a comunidade anglicana da Diocese do Recife, que se estende por todo o Nordeste, efusivamente comemorará o 1º Aniversário da Sagração de D. Filadelfo Oliveira Neto, carinhosamente apelidado de D. Filal, bispo sufragâneo, uma espécie de bispo auxiliar.

Natural de Garanhuns, interior de Pernambuco, desde cedo dedicou-se ao serviço do Senhor na Igreja. No Seminário Presbiteriano Independente em São Paulo, teve o primeiro contato com o Anglicanismo, sua teologia, seu ethos e sua liturgia. Vindo morar em Recife, optou pelo anglicanismo e foi confirmado na Catedral da Santíssima Trindade, concluiu seus estudos teológicos no Seminário Anglicano do Recife.

Ordenado Diácono em fevereiro 1999, presbítero em outubro do mesmo ano. Nomeado secretário executivo diocesano em outubro de 1999. Em março de 2000 foi designado como arcediago da Paraíba e Rio Grande do Norte, onde desenvolveu o trabalho de acompanhamento e de estabilização da igreja na região. Em março de 2001, assumiu o arcediagado do Litoral Sul da Diocese, que se estende de Boa Viagem - Recife- PE até a Ilha de Itaparica, BA. Leciona Aconselhamento Pastoral, História da Igreja Anglicana no Brasil e Cânones e Administração Eclesiástica no Seminário Anglicano de Estudos Teológicos em Boa Viagem, foi membro da Comissão Diocesana Bilateral de Intercâmbio e reitor da Paróquia Anglicana do Bom Samaritano.

Em dezembro de 2001, foi eleito bispo sufragâneo da Diocese Anglicana do Recife e sua ordenação e sagração aconteceu em 28 de abril de 2001. Seu ministério tem sido pastorear o rebanho, junto com o bispo diocesano D. Robinson Cavalcanti, de quem é amigo e companheiro em todas as lutas. É membro da Ordem Evangélica de Sto. Estevão. Para muitos clérigos e seminaristas é um verdadeiro Pai em Deus, seus conselhos abalizados, seu carinho e, sobretudo, sua sempre presente atenção, retratada em seu abraço carinhoso e largo sorriso, faz com que ele seja amado e respeitado, pelo que a igreja agradece a Deus pela vida de seu pastor. Eu, teólogo menor, periférico e pecador, vi e dou testemunho. Jocelenilton Gomes - Recife

Diário de Pernambuco Edição de Quinta-Feira, 24 de Abril de 2003

A fé depende da ressurreição

"Se Cristo não ressuscitou, ilusória é a vossa fé...".

Palavras melancólicas demais para começar um texto, porém calam bem nos corações nostálgicos e penitentes pré-pascais, apresentam uma condicionante, onde o único termo é o desespero. Se o Domingo da Ressurreição fosse falácia, ou produto de uma mente doentia: seria ilusão o amor de São Paulo: "... Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, se eu não tivesse amor seria como o bronze que soa...". Teria amado em vão, pois amou crendo no ressuscitado.

Seria ilusão a esperança de Santo Agostinho: "... E, contudo, se nossos lamentos não chegarem a teus ouvidos, não haverá para nós esperança alguma...". Teria vivido esperando em vão, pois esperava no ressuscitado.

Seria ilusão o ideal de São Francisco: "... Fazei que eu procure mais, consolar que ser consolado...". Teria vivido um ideal em vão, pois tentou seguir o caminho do ressuscitado.

Seria ilusão a humildade de Tomás de Kempis: "... A glória dos bons está na própria consciência e não na bocados homens...". Teria buscado a humildade em vão, pois a buscou espelhando-se no ressuscitado.

Seria ilusão a fé de Lutero: "... Se temos de perder, família, bens, prazer, se tudo se acabar, e a morte em fim chegar, com ele reinaremos...". Teria sido fiel em vão, pois cria num ressuscitado.

Teriam vivido em ilusão David Brainerd, John Bunyan, Thomas Cranmer, Soren Kierkegaard, Teresa D'Ávila, Madre Teresa de Calcutá, D. Helder Câmara, Avelina Maria, minha avó, José Trezena, meu pai, Marias, Josés, Joões. Eles creram e ainda crêem, esperando num ressuscitado.

Há muitos que acordam todos os dias e oram: "... Não nos deixes cair em tentação..." A tentação de acreditar que sem Jesus, podem fazer alguma coisa, podem viver sem a sombra da cruz, podem viver sem a certeza da ressurreição.

A ressurreição nos concede não receber o que merecemos, é misericórdia, e receber o que não merecemos, é graça. Sem ela seria tudo perdido, desesperador, pois, vivemos e morremos, crendo que o sepulcro não reteve Jesus, crendo que um morto ressuscitou na história, não numa brecha ou falha dela, e nos deu sua vida.

Mas ele ressuscitou! O brado do Domingo da Ressurreição é: Ele vive! Por isso a vida não tem sido em vão, a existência tem sentido.

Não à toa a igreja repete todos os dias: "... Anunciamos a sua morte, Proclamamos a sua ressurreição...". Graças à morte na cruz, e graças à ressurreição, temos vida. Não procure entre os mortos aquele que já ressuscitou! Ele vive? Ele vive!

Diário de Pernambuco Edição de Sexta-Feira, 18 de Abril de 2003

Mister Bush ou mister Nabucodonosor?

"... desfaze os teus pecados pela justiça (...) usando de misericórdia para com os pobres, e talvez se prolongue a tua tranquilidade..."

Mister Bush! Em Bagdá, a mesma que você quer destruir, no ano 608 a.C. viveu o profeta Daniel, que foi salvo dos leões, ele registrou em suas memórias que um déspota imperialista, Nabucodonosor, governava o Mundo com ambição. O conselho acima lhe foi dado pelo profeta.

Ele não prestou atenção, respirava, dormia, acordava com a idéia de suplantar reinos, dominar países, conquistar nações. A ninguém ouvia, a ninguém atendia.

Hoje o mundo conhece um déspota tão imperialista quanto Nabucodonosor: Você mister George Bush, você é cristão, mas, mostra-se soberbo, autoritário, auto-suficiente, o típico fundamentalista que prega: quem não é por mim(EUA) é contra mim(EUA). Até o bispo da diocese a que a sua igreja é vinculada está contra essa sua guerra. O seu radicalismo é a versão cristã do Taleban, aquele que você prometeu destruir eque continua vivo.

Por que essa fixação com o Islã? Será por causa do fechamento de países dessa religião à influência americana? Será que lá tem muitas placas de Coca-Cola e McDonalds? Você está de volta aos idos medievais, quando se conclamava dos púlpitos das catedrais cruzadas contra os chamados infiéis do Islã.

Você hoje é o pregoeiro, seus cúmplices nesse genocídio, ou têm os mesmos interesses espúrios seus, de apropriação das riquezas naturais do Iraque ou estão com o chapéu na mão pedindo esmola a você, vendem a alma, vendem a soberania. É a prostituição diplomática.

Você ordena que outros países expulsem diplomatas iraquianos. Você se acha o Dono do Mundo, quer mandar na casa dos outros. Certamente que os cofres americanos se fecharão para as nações que não atenderem aos seus pedidos. Seu dinheiro, mister Bush, está sujo, sujo com o sangue dos afegãos, dos hispanos, dos milhares de africanos que morrem de fome por sua causa, dos iraquianos inocentes, que não têm culpa por seu pai não ter conseguido destruir Saddam, e que você agora quer tirá-lo ao custo de milhares de vidas inocentes.

Tanto você quanto seu pai, cada um já teve seu Vietnam, por que não aprendem? Você quer vingar o Vietnam é? Não era preciso ser analista internacional para prever que um desastre atingiria as instituições democráticas, no momento em que um político de inteligência mediana, a pouca que tinha foi corroída pelo álcool, na maior trapalhada eleitoral de todos os tempos, digna dos dramalhões mexicanos, num enredo à la Chapolin Colorado, assume o governo da nação mais rica do Mundo.

Você passará para a história como o presidente mais medíocre dos EUA. Você governa como se tivesse nas mãos um console de um game irado, só que não lhe explicaram as regras do jogo, ainda que o fizessem, você não entenderia. Você só tem competência para despertar no Mundo um antiamericanismo. Você parece um vaqueiro de filmes de Hollywood, que desafia os mocinhos e corteja as donzelas, falastrão sem cérebro.

Você recorre à violência para não ter que falar, pois quando fala mostra-se de verdade: poucas inteligências cognitiva e emocional. Seus mísseis inteligentes estão caindo sobre inocentes, será que o Quociente de Inteligência deles é igual ao seu? A história de Nabucodonosor diz que ele ficou louco, comeu capim até desistir de seu imperialismo. O império dele? Virou pó. Ele ouviu: "... passou de ti o reino...".

A história ensina, os sábios aprendem. É necessário que você tenha o mesmo destino dele para conhecer a humildade? Nunca mais financiarei suas guerras, seu sanduíche e seu refrigerante jamais verão meu dinheiro.

Neste mês estamos lembrando a morte de Jesus, o mesmo que você diz seguir. Pergunto humildemente: Em seus passos que faria Jesus? Essa frase, não é minha e nem é nova. Ele mataria inocentes, por causa de barris de petróleo? Ou por uma obsessão? Não coloque o nome de Jesus na sua guerra suja, não mate em nome de quem morreu para dar a vida. Yankee go home!

Diário de Pernambuco Edição de Quarta-Feira, 2 de Abril de 2003

Sua Graça Revmª D. Rowan Williams

Já se vão mais de 1.400 anos, desde que o beneditino Agostinho desembarcou como bispo na Inglaterra no outono de 597, enviado pelo Papa Gregório Magno, o iniciador da Idade Média, para representar a Sé romana na Bretanha. A obra dele consistiu em levar o evangelho aos povos bárbaros que então habitavam a ilha.

Como sinal da incalculável herança histórica e de renovo, os mais de 70 milhões de anglicanos espalhados pelo Mundo, em comunhão com a Sé de Cantuária, têm novo líder espiritual desde o último dia 27/02. Por meio de ritual que se perpetua milenarmente, foi entronizado Sua Graça D. Rowan Williams, o 104º Arcebispo de Cantuária, dele se pode dizer que nasceu para a púrpura. O galês Rowan, é o primeiro arcebispo de Cantuária, desde o Século XVI que não pertence à Igreja da Inglaterra, além de ser o mais jovem, dos últimos tempos. Piedoso, possuidor de espiritualidade profunda, reconhecidamente culto, porém dotado de humildade verdadeira, todos o tratam pelo primeiro nome, coisa pouco comum na fleumática Inglaterra.

Certamente que, uma das tônicas de seu arquiepiscopado será engajar mais ainda, a Igreja da Inglaterra com a sociedade e com a cultura. Se ela seguir seu exemplo pessoal, certamente que se envolverá, e muito, em questões sociais e éticas. Em 1980, quando ainda era o capelão no Claire College, participou de um protesto a favor do desarmamento nuclear, em Cambridge, na frente da base aérea norte-americana, acabou preso. Ele também é contra a guerra no Iraque, acredita que ela segue intenções escusas, que não justificam o morticínio que acontecerá, considera-a como "imoral". Chegou a criticar veementemente o ataque ao Afeganistão, além de defender a abolição das sanções contra o Iraque. De outra feita "orientou" o primeiro-ministro Tony Blair, anglicano, a empregar ética no comércio internacional de armas, e ressaltou a obrigação que ele tem, (Blair) de diminuir os índices de pobreza e de fome no Mundo.

É crítico ferrenho na área de política e voz ativa clamando contra a injustiça social. Não é arcebispo por geração espontânea, foi eleito por vontade da igreja, por vontade de Deus. Teologicamente ele é o que se pode chamar de conservador ou ortodoxo, pois defende Verdades Credais: encarnação de Deus, nascimento virginal, ressurreição histórica de Jesus. "... O vento sopra onde quer..." Esse sopro de Deus que atinge a Igreja da Inglaterra, prenuncia o seu renovar contínuo pelo Espírito, é resposta à oração: "... dirige o que seremos...". Sopra Senhor!

Diário de Pernambuco Edição de Sexta-Feira, 21 de Março de 2003

Receita da fama

Segundo Sto. Estevão, diácono da igreja primitiva, Moisés, o príncipe do Egito, passou de sua infância até seus quarenta anos no Egito sendo instruído em toda ciência e sabedoria antigas, depois quarenta anos no deserto pastando cabras, sendo instruído pragmaticamente a como sobreviver em meio à adversidade em terras áridas, depois mais quarenta anos liderando o povo de Israel na jornada à terra prometida, aplicando o que tinha aprendido nos dois primeiros terços de sua vida e aprendendo como liderar uma turba pusilânime e melindrosa, assim ele tornou-se famoso, mesmo que não tenha sido essa a sua vontade.

João, o Batista, segundo o relato do Evangelho, primo de Jesus, era uma personalidade excêntrica e extravagante, mas também era um ser dirigido e guiado pelo Espírito de Deus. A despeito de sua esquisitice, foi considerado por Jesus como o maior dentre os nascidos de mulher. Nunca buscou a fama, mas a adquiriu por sua vida e na sua morte, que ocorreu por manter-se apegado ao que cria e ao que pregava.

Santo Agostinho, bispo, um dos pilares do pensamento do Cristianismo ocidental, nunca procurou a glória, mas ela veio, dizia: "... porque nos fizeste para ti, e nosso coração está inquieto enquanto não encontrar em ti descanso...". Dessa forma viveu uma odisséia em busca de Deus, esquecendo-se de si mesmo, tornou-se famoso, mesmo que desprezasse tal coisa.

São Francisco de Assis, il poverello, conquistou a notoriedade justamente ao se afastar dela, sua humildade e sua busca incessante em seguir as pegadas do Nazareno, o fizeram uma das maiores personalidades da história do Cristianismo. Nunca procurou a fama, embora ela tenha vindo.

Lutero, o homem do Castelo Forte, entristeceu-se profundamente quando viu seu nome unido a uma igreja. Não queria ser lembrado, não queria a fama. Suas palavras em Worms: "... não é seguro e nem certo ir contra a consciência...", o tornam uma das maiores personalidades do Mundo, ao defender a liberdade de expressão. É lembrado em qualquer compêndio de história, embora se achasse apenas um simples monge.

Existem muitos modos diferentes de ser famoso, alguns difíceis e outros menos difíceis, mas todos árduos e trabalhosos. Alguns precisaram morrer para que seu nome fosse escrito nas pedras da História.

Mas a luz do Século XXI trouxe consigo uma receita imbatível e fácil de alcançar a fama: não é necessário fazer o que essas pessoas fizeram, basta participar de um reality show e a fama cai de pára-quedas na sala, sem o mínimo esforço.

Diário de Pernambuco Edição de Terça-Feira, 11 de Março de 2003