"Era uma vez.."



Desta forma despretensiosa, aparentemente singela e pueril, começa um dos maiores clássicos da literatura, agora transformado no primeiro filme de teor evangélico da Disney: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, este que é o segundo livro da Série As Crônicas de Nárnia da autoria de Clive Staples Lewis, mais conhecido no Brasil como C.S. Lewis autor de verdadeiros best-sellers tais como: Perelandra, As Cartas do Coisa-ruim, Surpreendido pela Alegria, Milagres, Os Quarto amores, O Problema do Mal, etc. O que deixa dúvida então é a motivação da poderosa Disney. Estaria ela arrependida de todos os filmes maléficos que lançou, com metáforas e mensagens subliminares incentivando à homossexualidade e à desobediência aos pais pelos filhos, tentando resgatar sua imagem junto aos evangelicais e aos fundamentalistas americanos?

Estaria a igreja norte-americana de casamento marcado com a Disney por conta deste filme?

Será que os interesses da Disney seriam apenas financeiros, tentando arrebatar o filão do mercado que perdeu para a tão nefasta série de Harry Potter e os sucessivos desastres de bilheteria mais recentes?

Ou estaria por trás de tudo isto a Poderosa Mão de Deus levando-a a produzir um filme, que contém fortes, porém ocultas, mensagens cristãs que podem conduzir milhares aos pés de Jesus e ao conhecimento das Verdades Eternas do Evangelho do Senhor Jesus até mesmo de forma subliminar?

O autor
Quem foi este que conseguiu sorrateiramente penetrar nos subsolos da outrora maléfica Disney? Clive Staples Lewis era irlandês, tinha uma forte tradição da mitologia e do imaginário célticos, que lhe ajudaram a compor a sua obra prima, nasceu em 29 de novembro de 1898, sua família era presbiteriana, seu avô era pastor da igreja local que era freqüentada por toda família, mas isto não parece ter sido importante para ele, pois o cristianismo vivenciado era bastante nominal. O pai era galês e mãe era escocesa, os dois eram distintos não só na origem, mas também no comportamento e no temperamento. Ele perde a mãe aos dez anos, acometida de um câncer, não só a morte dela, mas também o sofrimento que antecedeu deixaram marcas indeléveis no coração do pequeno Lewis, marcas que talvez nunca foram apagadas. O seu pai tem uma brusca mudança de comportamento, sendo muitas vezes sádico no trato com os seus filhos, ele não se acostumou com a viuvez precoce, causando sérios problemas para o nosso jovem escritor, nesta fase ele e o irmão criam um mundo mágico, no qual os dois podiam ver-se livres dos problemas familiares e das tarefas e rotinas escolares, o interesse dele por lendas nórdicas e celtas só fez crescer neste período.

Tendo passado boa parte da adolescência em escolas inglesas, de linha dura, muito embora fossem escolas cristãs, eram de moral vitoriana, muitas vezes os castigos beiravam ao sadismo, castigos esses que eram aplicados por um clérigo, que somando-se à figura que ele tinha do pai só o fazia afastar-se da imagem de um Deus-Pai amoroso. Aos 21 anos resolve tornar-se ateu, dedicando-se ao estudo da filosofia e da literatura antiga, porém, como ele mesmo dizia foi Surpreendido pela Alegria(título da sua autobiografia), sendo alcançado pela Maravilhosa Graça de Deus, tendo Este usado como meio para isto nada mais que T.S. Eliot, o grande poeta anglicano e J.R.R. Tolkien, católico, autor da não menos famosa série Senhor dos Anéis. A conversão se deu em 1931, Lewis torna-se anglicano. De 1925 até 1954, Lewis lecionou Literatura Medieval e Renascentista na Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Ao mesmo tempo era membro de um grupo de intelectuais que discutia literatura tendo como colegas: Tolkien, Charles Williams e Owen Barfield. Seus mentores espirituais foram George MacDonald, escritor que defendia a utilização da fantasia para a fecundação do imaginário e, claro, o inusitado, inigualável e culto G. K. Chesterton, que no seu decantado Ortodoxia, defende a moral e a ética dos contos de fada, os dois nunca negaram em seus escritos a sua fé cristã, além deles tinha ainda o grande poeta puritano John Milton.

Lewis foi poeta, filósofo, apologeta, escritor, professor e crítico literário tendo escrito em todas esta áreas e em literatura fantástica e ficção científica. Porém foi naquele campo, literatura fantástica, que alcançou mais destaque, pois através dos contos infantis e de sua imagens simples e corriqueiras, pôde apresentar o evangelho principalmente às crianças.

Em abril de 1956, Lewis, um solteirão convicto de 57 anos, casa com Joy Davidman, poetisa americana que tinha dois filhos menores, o filme Terra das Sombras retrata este romance. Eles desfrutaram quatro anos de um feliz matrimônio. Joy morreu de câncer em 1960 quando estava apenas com 45 anos, Lewis criou os dois filhos dela até sua morte. A morte dela o entristeceu muito e a peregrinação que efetua nessa época de perda fê-lo escrever A Grief Observed. Nele vemos Lewis em seus mais ternos momentos. Discutindo a relação entre eles, suas lutas pela enfermidade dela, as dúvidas dele depois da morte da esposa, e o mais importante, os seus intensos esforços para entender a relação morte e sofrimento com a bondade de Deus.

Lewis morreu em 22 de novembro de 1963, em Oxford, sendo assistido até o último momento por seu irmão, Warren. Neste mesmo dia foi assassinado o presidente americano John Kennedy além do famoso escritor Aldous Huxley de Admirável mundo novo, por conta disto a morte do escritor foi pouquíssimo noticiada.

A obra
Qual é então o conteúdo deste livro, que o faz ser tão especial. Ao ponto de que seja apontado como um filme evangelístico? Será que faz parte do que o Bispo Robinson Cavalcanti chama de Operação Nicodemos? Evangelizar de modo secreto?Neste livro são narradas as aventuras dos irmãos Pevensie: Pedro, Susana, Edmundo(do latim: pertencente ao mundo) e Lúcia, que fugindo dos bombardeios à Londres durante a II Guerra Mundial vão até a casa de um professor bem longe da cidade. Lá encontram dentro de um guarda-roupa (cuja origem é revelada em O Sobrinho do Mago) uma passagem que liga nosso mundo ao mundo de Nárnia.

Eles chegam a este país que está sendo castigado por um inverno decretado pela Feiticeira Branca, também conhecida como Jadis. Porém uma profecia entre os narnianos diz que quando dois filhos de Adão e duas filhas de Eva aparecerem e se tornarem reis de Nárnia em Cair Paravel, com a ajuda do leão Aslam o governo da Feiticeira irá terminar.

Infelizmente Edmundo tentado pelas promessas da Feiticeira Branca acaba traindo os próprios irmãos, avisando-a de que seus irmãos estão em Nárnia e que estão procurando Aslam. Mas de qualquer maneira os outros três irmãos acabam por encontrar Aslam além de conseguirem salvar Edmundo da Feiticeira. Como prova de amor, Aslam se oferece em troca de Edmundo para ser sacrificado na Mesa de Pedra, local onde os traidores são entregues à Feiticeira para sacrifício. Mas a morte não é capaz de vencer Aslam, que revive por ser inocente. Então a Feiticeira agrupa seus súditos fiéis para atacar o exército de Aslam, liderado agora por Pedro. Aslam primeiramente vai libertar os narnianos que foram transformados em estátuas de pedra pela Feiticeira em seu castelo e então vai ajudar Pedro na batalha, derrotando definitivamente a Feiticeira e seu exército.

Com a vitória, os quatro irmãos são coroados reis e rainhas de Nárnia em Cair Paravel e governam por muitos anos iniciando a época de ouro. O reinado deles acaba quando em uma caçada acabam por encontrar uma passagem no Ermo do Lampião que acaba levando eles de volta ao nosso mundo, com a mesma idade que tinham quando entraram no guarda-roupa.

O filme é cheio de imagens e metáforas cristãs, sendo necessária portanto atenção para encontrar estas belas lições por toda a obra.
- Aslam o grande leão, que morreu e ressuscitou dando sua vida por um pecador, não poderia ser identificado com nenhum outro personagem da história que não Jesus Cristo.- As torturas que Aslam sofre e o calvário de Jesus.
- A defesa dos valores cristãos e a depreciação de vícios e erros humanos que só conduzem ao sofrimento e à desilusão.
- A busca tem que partir de Aslam, ele não é encontrado, mas sim é quem encontra, lembra a iniciativa de Deus em nos resgatar do Mal.
- A vitória sobre a Feiticeira(o Diabo?) e a implantação de um reino de justiça e paz, lembram as teologias escatológicas de nossas escolas dominicais.

As igrejas evangélicas inglesas crêem que muitas pessoas voltar-se-ão para Jesus ao virem o filme pois o mesmo é de uma densidade espiritual muito grande. Os metodistas ingleses estão pregando sermões temáticos sobre a obra e o filme, tentando informar os fiéis para que não percam a oportunidade de aprenderem e de evangelizarem.

Já se fala inclusive no segundo filme o mais provável é que seja O príncipe Caspian. Para alguns o filme é recheado do estilo lugar-comum da Disney de superação, drama fácil e infantilizado, ele deve decepcionar muita gente, principalmente os mais exigentes, porém creio que o Vento sopra onde que e neste dias, soprará dentro das nossas salas de cinemas, principalmente sobre nossos filhos que tem a mente mais receptiva para este tipo de filme.

Vou levar minha filha para assistir ao filme, mas na verdade sou eu que quero vê-lo com ansiedade, sei que quando ver o Leão que não pode ser domesticado emitir um rugido, e balançar sua juba, vou fazer uma oração emocionada, porém silenciosa de júbilo, por ver tanta gente pagar para ver a mensagem do evangelho ser encenada através de contos de fadas.

Que o Leão da Tribo de Judá, o que nunca perdeu uma batalha emita Seu rugido sobre a terra, afastando e derrotando toda obra de Satanás.

Em tempos de Harry Potter este filme vem bem a calhar, que Aslam bafeje sobre nós e a igreja possa cumprir o seu papel de defensora das verdades eternas.

Publicado na Revista Informe Gospel n.° 5

Lição de Mãe!

Maio, o mês das mães, para mim é de nostalgia, de lembranças, algumas ruins, outras boas, outras melhores. Época de lembrar da infância, do colo da mãe, dos afagos, dos abraços afetivos, de coisas que trazem à memória bons momentos vividos, que já não voltam mais: Bolo de fubá com uma xícara de café torrado fumegando, papa de aveia, o círculo em volta do lampião e as histórias de João e Maria, contadas com maestria por meu pai, muito embora ele aumentasse tanto, que não sabíamos como era o conto verdadeiro, balanço na rede nas madrugadas de dor de dente, dos curativos carinhosos nas feridas advindas das traquinagens, da vez que peguei minha mãe orando de olhos fechados e segurei bem forte seu nariz, dando-lhe um baita susto.

Porém uma das coisas que mais me deixa saudoso é quando relembro da hora de dormir, numa casa no Sítio do Limão em Monteiro, no sertão paraibano onde nasci. A noite poderia ser fria ou quente, com belo luar ou chuvosa, estando com saúde ou doentes, sempre, ajoelhados à beira da cama: eu e meus três irmãos cantávamos com D. Marilene, minha mãe, a canção de ninar mais bela que eu conheci, então orávamos pedindo proteção divina, era um som mavioso, inefável e indizível sensação: “Finda-se este dia que meu Pai me deu; sombras vespertinas cobrem já o céu, Ó Jesus bendito, se comigo estás, eu não temo a noite: vou dormir em paz...”.

Não há como calcular o efeito que a canção causava no coração inseguro e temeroso de uma criança de cinco anos. Qualquer ruído, qualquer sombra que se movia, qualquer estalo no telhado provocavam um sobressalto, traziam consigo a insônia. Só mesmo a lembrança da canção para acalmar o coração e poder dormir. Por força da ocupação de meu pai, que estava ausente todas as noites, o temor se acentuava, temia por nós que estávamos em casa, como por ele que estava fora desprotegido, só mesmo confiando no Pai Eterno para poder dormir e descansar, acreditando que pela manhã o veria de novo e que estaríamos em paz.

Muito tempo depois, quando os temores da infância que a escuridão noturna trazia junto a si, já não me assustavam mais, ouvia a voz dela cantando mais uma estrofe: “... Guarda o marinheiro no violento mar, e ao que sofre dores queiras confortar, ao tentado estende Tua mão, Senhor; manda ao triste e aflito o Consolador...”, eu tinha ingressado na Marinha e a canção era atual, tinha vencido o tempo. Ensinei-a para minha filha Jessicah quando alegou que estava sem sono, preocupada com os estranhos ruídos da rua: ”... Ó Jesus, aceita minha petição, e seguro durmo, sem perturbação”. Calma e serena, reclinou a cabeça e dormiu a sono solto. Ela entendeu a mensagem.

Agradeço à minha mãe, que me ensinou a confiar no Pai Supremo e que com seu exemplo me fez desejar tê-Lo por meu Pai também. E isto é melhor que bolo de fubá com café torrado bem quente.
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