Por que só querem a guerra?


Um judeu, que viveu no primeiro século da Era Comum, um dia, sentado em roda com alguns amigos e seguidores, pronunciou uma série de ditos que ficaram gravados para toda a eternidade, a relevância e importância de todos é incontestável, são admirados e servem de consolo para milhares de pessoas de todas as religiões e de todos os tempos, porém para o assunto que eu quero abordar aqui eu vou citar apenas um: “Felizes as pessoas que trabalham pela paz, pois Deus as tratará como seus filhos”, estas palavras estão em Mateus 5:9 (Versão Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH) da Sociedade Bíblica do Brasil) e foram pronunciadas por Jesus, o Cristo nas suas famosas Bem-aventuranças. Parece-me que estas palavras não são bem recebidas, ou não são devidamente acolhidas, por aqueles que são da mesma linhagem dele, seja por laços de sangue: o estado de Israel moderno, seja por laços religiosos: os “cristãos” dos EUA. Estes dois grupos já demonstraram na história a sua viés belicista e beligerante, cada um com suas “razões”, cada um com seus motivos, e a última prova cabal, desta afirmativa que faço, é a ameaça que Israel, que conta com o apoio incondicional dos EUA, está fazendo ao Irã.

Os fatos
Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro israelense, fez um pronunciamento recentemente, no qual diz textualmente que existiriam razões e motivos de sobra, que dariam todo o direito a Israel e aos EUA, não sei se devo chamá-los de aliados ou de lacaios de Israel, de atacarem o Irã, quais são estes motivos? O “provável” programa de desenvolvimento de armas atômicas daquele país.

Confesso que senti algo como que um soco no estômago quando li a notícia que este senil, beligerante e tresloucado governante (sic) estava ameaçando o Irã. Eu acredito que, pelo pronunciamento que ele fez isto fica claramente perceptível, o premier israelense, além de ser um estrategista amador, não conseguiu sequer aprender xadrez, os seus neurônios acham este jogo tedioso e muito complexo, também possui um grau de irracionalidade em estágio elevadíssimo. Parece que ele não consegue enxergar o que o Irã representa para o mundo islâmico, com seus fortes aliados chineses e russos. Ameaçar a soberania daquele estado pode ser um tiro que saia pela culatra, e creio que o que voltaria sobre Israel e os EUA estaria longe de ser chamado de tiro.

Não precisamos ser especialistas em ciências políticas e nem em política internacional para entender que esta ameaça é na verdade um blefe, que tem a finalidade de pressionar a comunidade internacional para aplicar sanções, eu diria que na verdade são retaliações caprichosas de Tel Aviv e Washington, ao estado islâmico. Porém, como todo blefe, é extremamente perigoso, as consequências deste ato insano podem afetar não apenas a Israel e aos EUA (não isentando os seus aliados, principalmente os ingleses com a sua Olimpíada), mas ao mundo todo. Pode se transformar numa verdadeira catástrofe de proporções inimagináveis, com um efeito cascata avassalador. As divergência no meio do islã (sejam sunitas, xiitas ou talibãs) desaparecem quando o assunto é o “ocidente americano” com sua sociedade promíscua e os seus aliados judeus que oprimem os palestinos.

O mote que Israel está usando para toda esta escaramuça é um relatório que foi publicado recentemente pela AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), no qual diz ter, ipsis literis: “sérias preocupações com as possíveis dimensões militares do programa nuclear do Irã”. Netanyahu e outras autoridades israelenses distorceram o relatório, exponenciando as conclusões da agência, obviamente com interesses próprios e já apontam seus mísseis, alguns com a Estrela de Davi desenhada por estudantes com menos de 10 anos, em direção à Pérsia. Mas, nada que seja dito vai colocar por terra a tese de que não passa tudo de um blefe, um perigoso blefe, o premier isabelense parece ter aprendido muito bem com os americanos como ser fanfarrão.

Em matéria de mentira os israelenses aprenderam muito bem com os EUA. Até hoje esperamos, eu e o mundo todo, pelas “provas cabais” que o George Bush disse ter que o Iraque produzia armas químicas, além de um péssimo governante, um louco desvairado, o metodista Bush é um mentiroso contumaz, o que para a sociedade puritana e hipócrita americana não é nada, lembremos apenas dos líderes religiosos que o apoiaram e que defenderam a intervenção no Iraque como obra de Deus. Só faltaram igualar Bush a Josué ou Gideão, sinto vergonha quando me lembro de tais disparates.

Mas o premier não é voz dissonante no governo (sic) de Tel Aviv, o ministro das Relações Exteriores (parece um contrassenso Israel com um ministério com esse nome) Avigdor Lieberman, que tem um caráter muito mais belicista que Netanyahu, endossou as palavras do chefe dizendo que novas “sanções paralisantes contra o Irã” são necessárias e urgentes. Como podemos perceber pelos comunicados dos últimos dias, Lieberman e Netanyahu, que contam com o apoio de boa parte dos políticos israelenses, e da população, que querem exterminar a raça palestina, e encontram no Irã a pedra que lhes aflige o sapato, já que este iria socorrer ou dar abrigo aos irmãos muçulmanos, estão empenhados em conquistar o apoio, ou seja, o silêncio e a omissão, do Conselho de Segurança da ONU e da chamada comunidade internacional para tirarem de seu caminho este obstáculo. Lieberman ainda esbraveja: “A opção militar é a última possível e a pior, mas ela tem de continuar sobre a mesa e pronta para ser colocada em prática”.

Mas acho que esqueceram alguns detalhes, que não são menos importantes por isso. Primeiro: A China e a Rússia, que são tradicionais aliados do Irã, e por isso mesmo, sempre estão contrários às vontades e caprichos dos israelenses, ao contrário dos EUA que fazem tudo o que os banqueiros judeus querem, são membros permanentes do Conselho de Segurança, e certamente, vetarão novas sanções contra Teerã. Segundo: com o veto no Conselho, o que fará então Israel? Atacará mesmo o Irã à revelia da vontade da Comunidade Internacional? O Conselho de Segurança não dará apoio unânime, ainda assim continuarão com seu plano? Bom, ou Israel de fato ataca o Irã, ou vai perder a pouca credibilidade que tem no Oriente Médio e no resto do mundo. Eu ainda elencaria um terceiro motivo: os aliados europeus e americanos estarão dispostos a embarcarem numa guerra com um déficit interno elevadíssimo e uma crise financeira batendo às suas portas?

Ainda que conte com o apoio dos seus cães de guarda, os EUA, e tenha cofres abarrotados de dólares, qualquer ataque que Israel lance contra o Irã seria, sem sombra alguma dúvida, uma missão suicida, uma missão fadada ao fracasso, ainda que logre aparente sucesso inicial.

O general Massud Jazyeri, chefe do estado maior das forças iranianas disse no último dia 09 (quarta-feira) que : “o Irã, em caso de ataque às suas instalações militares, “destruirá” Israel”. Não parece que estava blefando, vontade, disposição e planejamento para isso eles têm de sobra, talvez só precisem de um motivo, e os políticos israelenses estão “empenhados” em dar este motivo.

Algo que preocupa bastante é que o alcance da vingança do Irã e de seus aliados radicais, não nos esqueçamos que a morte para eles não é assustadora, seria exponenciado, “não se limitará ao Oriente Médio”. Isso se deve ao fato de que eles, as autoridades iranianas e seus aliados espalhados pelos quatro cantos da terra, sabem que Israel não teria condições de agir sozinho numa empreitada deste porte, estaria agindo em sintonia com os Estados Unidos, ainda que nenhum avião americano fosse visto sobrevoando Teerã. Ainda que não se torne explicito nem público, não é preciso ser especialista em Oriente Médio para deduzir que Barack Obama, como todos presidentes norte-americanos desde a criação em 1948 de Israel, vai dar apoio incondicional a qualquer ação que Israel decida tomar.

Até mesmo, e isso é assustador, o presidente Shimon Peres, por muito tempo considerado um governante sóbrio e um político que já demonstrou muita eficiência em gerir crises, no último domingo 06 declarou: “A possibilidade de um ataque militar contra o Irã está mais próxima do que uma opção diplomática”. Se os mais sensatos pensam assim, o que diremos dos menos dotados de sobriedade?

Esta histeria e onda de irracionalidade não é privilégio da classes dos políticos, ela já se estendeu ao povo. Mesmo sabendo que um ataque ao Irã é o estopim que deflagaria um conflito global de proporções inimagináveis, ainda assim a população em sua maioria apoia o que os políticos estão se preparando para fazer, o contágio é geral, o caos está às portas.

Um cientista político de origem iraniana, Hesam Houryaband, tem uma visão diferente dos pronunciamentos recentes de Teerã sobre essa provável invasão israelense: “o discurso de Ahmadinejad de destruir Israel não reflete a política exterior do país”. Segundo este cientista a única razão para que o Irã insista no programa nuclear é que ele “quer armas nucleares para proteger seu regime”. Por um pequeno e forte motivo: A invasão do Iraque, da Líbia e de outros tantos que a OTAN não titubeou em invadir. Será que o regime dos aiatolás vai ficar sentado esperando ser o próximo da lista? Claro que não, todos sabem que ninguém hoje ousaria atacar a Coréia do Norte, por mais que tenha escaramuças com a Coréia do Sul e infrinja os direitos humanos, e o Paquistão, ainda que seja um dos maiores baluartes e abrigo para terroristas de origem islâmica, por conta dos avançados programas nucleares que eles têm.

O que eu espero é que Israel descubra os ensinos de Jesus e procure a todo custo a paz, porém dos EUA eu espero que redescubram os ensinos de Jesus, pois parecem que esqueceram.

Infinitamente Mais

Sim, eu sei Senhor que tu és soberano
Tens os teus caminhos tens teus próprios planos
Venho pois a cada dia, venho cheio de alegria
E me coloco em Tuas mãos pois és fiel


Sim, eu sei Senhor que tu és poderoso
És um Deus tremendo, Pai de amor bondoso
Venho pois a cada dia, venho cheio de alegria
E me coloco em tuas mãos pois és fiel

Fiel é tua Palavra oh Senhor
Perfeitos os teus caminhos meu Senhor
Pois sei em quem tenho crido Também sei que és poderoso
Pra fazer infinitamente mais (2 vezes)

Do que tudo que pedimos infinitamente mais
... Sentimos - pensamos - cremos infinitamente mais

Um país de espertos


Reza uma antiga lenda, tão antiga quanto as estrelas do céu, que havia um país muito distante, tão distante quanto imenso, tinha praias exuberantes, minas de ouro e de pedras preciosas, florestas belíssimas, montanhas verdes, ilhas paradisíacas e um oceano azul o bordeando, como se fosse a borda de um desenho. O céu sobre este país parecia um quadro pintado à mão, uma verdadeira obra de arte e o sol que nascia sobre aquele país parecia diferente do sol que nascia sobre os outros países, era maior e mais quente.

Este país tinha muitos moradores, milhares, de todos os tipos, cores e raças, era um lugar onde as diferenças eram toleradas, onde cada um tinha orgulho de ser o que era, sem querer impor ao outro o seu próprio modo de ser, acreditavam os moradores dos demais países que aquele lugar era um estereótipo do paraíso na terra.

Para cada 100 bebês que nasciam naquele país, 99 nasciam espertos, o resto, ou seja 1 em cada 100 era de pessoas normais ou mesmo de retardados. Todos queriam que seus filhos nascessem espertos, a pergunta que faziam aos médicos quando as mulheres estavam grávidas não era se o bebê tinha saúde, mas sim se era esperto, existiam inúmeros exames pré e pós-parto que indicavam o grau de esperteza de cada nascituro, alguns deputados, todos da casta dos espertos, obviamente, estudavam a possibilidade de criar leis que permitissem que as mães interrompessem a gravidez caso os exames demonstrassem que a criança seria normal, ou mesmo retardada.

Os pais juntavam dinheiro, trabalhavam muito para poderem dar educação adequada aos filhos, estes tinham que ir para boas escolas, só assim os pais saberiam que eles teriam um futuro brilhante e recheado de sucesso.

Neste país de espertos, era normal estudar para passar nas provas, ser esperto era copiar a prova de outro, e ser mais esperto ainda era usar algum meio eletrônico que facilitasse burlar a vigilância dos professores, a nota dez não era comemorada, e sim o fato de que ela significava que o aluno era esperto e sabia se sair bem das dificuldades. Os espertos eram admirados e extremamente populares.

Neste país os universitários espertos iam para a aula apenas para responder a chamada, depois ficavam na frente da faculdade, bebendo, fumando e se divertindo, na hora da prova era só filar, seja de um aluno normal que estudou, seja copiando do caderno ou do livro, ou mesmo do telefone móvel, e tirar uma boa nota para passar, pois o que interessava mesmo era o diploma, aprender era coisa de pessoas normais ou limitadas intelectualmente, os espertos mesmos eram aqueles que conseguiam os diplomas sem muito esforço.

Neste país os motoristas bons não eram aqueles que nunca batiam, mas sim aqueles que não ficavam presos em longos engarrafamentos, bons mesmos eram aqueles que trafegavam na contramão ou faziam manobras arriscadas para fugirem espertamente de alguma fila longa de veículos, sem se importarem com quem ficou para trás, espertos mesmos eram aqueles que conseguiam estacionar o carro de qualquer jeito, seja numa vaga para idosos ou cadeirantes, ou em cima da calçada, sobre o passeio de pedestres, o que importava ao final era que o veículo ficasse protegido, cada um que cuidasse de sua vida, esse era o lema dos espertos.

Neste país as filas eram instituições reservadas exclusivamente para seres desprovidos de inteligência superior, os espertos sempre davam um jeito de burlar a fila, e passar na frente de quem estava esperando há horas, o que importava mesmo era mostrar que se sabia encontrar uma saída para não enfrentar uma longa fila, seja fingindo ser idoso ou deficiente, seja manipulando a bondade alheia, esperto que é esperto, não perde tempo em fila.

Neste país havia uma tácita lei contra os preços abusivos dos programas para computador, dos CDs de músicas e dos filmes. Punia-se quem cobrava caro com a reprodução massiva de suas obras e a distribuição, digo venda, por preço bem abaixo do mercado oficial, para todos aqueles que quisessem. Alguns espertos mostravam com orgulho os programas para computador que eles haviam burlado o sistema de senhas e conseguido instalar ou mostravam, como troféus de guerras, os filmes que tinham copiado e que ainda estavam sendo exibidos no cinema, os normais, aqueles que eram desprovidos de inteligência superior, compravam os programas que usavam, ou então instalavam programas gratuitos, mas os espertos consideravam estes programas chatos e toscos, só era admirado mesmo quem tinha quebrado mais licenças de instalação.

Os espertos passavam anos se preparando para serem funcionários do governo, pois só assim poderiam ganhar muito dinheiro sem precisarem trabalhar muito, não que não houvesse trabalhadores nesta classe, havia sim, porém eram apenas seres normais ou retardados, os espertos eram daquela estirpe que conseguiam resolver tudo apenas por meio do paletó, tanto que faziam questão de deixá-lo pendurado na cadeira na segunda-feira e só voltavam para buscá-lo na sexta-feira, ou no dia do pagamento.

Os pais de todos, sejam espertos, sejam normais, desejavam um futuro brilhante para os seus filhos, os filhos dos normais estudavam muito para serem professores, médicos, engenheiros e militares, os filhos dos espertos eram treinados desde a primeira infância para serem jogadores de futebol, cantores ou atores de televisão, e desta forma enriquecerem antes mesmo dos vinte anos de idade. Quando alguém dizia que seu filho ou sua filha seria médico ou advogado, todos em volta já sabiam que aquela pessoa era da casta dos normais, muitos até tinham vergonha em dizer que o filho ou a filha estava estudando para ser professor ou professora, era o mesmo que, em outros países, alguém dizer que o filho estava no presídio por traficar drogas ou por estupro.

Neste país os religiosos normais, andavam de ônibus, ou de bicicleta, conduziam as suas reuniões em casas simples, muitas de pau a pique e viviam com salários baixos e por isso tinham que trabalhar paralelamente. Os religiosos espertos viviam em mansões luxuosas, com carros importados na garagem, motoristas e serviçais às suas ordens e ainda tinham status de celebridade, com programas na televisão e editoras exclusivas para publicarem suas obras, uma palestra de um religioso esperto custava uma fortuna, muito embora a de um religioso normal não custasse nada, mas quem iria querer ouvir um religioso normal pobre, se os religiosos espertos eram muito ricos e ainda ensinavam aos outros como se tornarem ricos também? Os seguidores espertos, obviamente, procuravam seguir os ensinamentos de seus mentores, pois só era um esperto abençoado aquele que enriquecia sem muito esforço, quem trabalhava duro para sobreviver, era normal, retardado ou estava em pecado, ou seja, não fazia parte da elite escolhida dos espertos. Ainda que o fundador da religião tenha sido pobre e tenha optado por viver entre os rejeitados, os espertos fingiam que isso não havia acontecido, diziam que se ele vivesse na época deles, com certeza seria um grande empresário e não um peregrino pobre de roupas surradas e maltrapilhas.

Neste país os políticos que eram eleitos pelo povo e que se preocupavam em atender à vontade da população, não demoravam muito no cargo, pois nenhum esperto gostava de gente normal no parlamento, tratavam de não elegê-lo na próxima eleição, o que eles queriam mesmo eram deputados e senadores espertos, que fizessem leis espertas e que arrumassem empregos para seus filhos espertos. Gostavam de políticos espertos que falavam bonito e que tinham uma boa oratória, pois ouvir políticos normais, sem muita instrução era diminuí-los e um esperto de verdade não vai querer nunca ser tratado como normal.

Um dia aconteceu algo inesperado, cansados de serem maltratados, os normais e os retardados resolveram ir embora, eram tão poucos, que sabiam que não fariam falta, reuniram-se na beira da praia e traçaram um objetivo para a viagem, iriam embora num navio para algum lugar, onde não fossem diferentes e sim onde fossem a maioria, levaram só o que podiam carregar, já que não eram espertos, não levaram supérfluos.

No outro dia os espertos descobriram que não havia mais nenhum normal no país e se alegraram, pois haviam se livrado daquela gente chata, limitada e sem graça. Com o passar dos dias, começaram a sentir falta deles, pois não havia mais ninguém a quem explorar, não havia a quem oprimir, e o país se tornou um inferno, pois ninguém sabia ensinar, escrever, cuidar dos doentes, gerir as empresas, pilotar os aviões, cuidar do trânsito, etc. Tinham passado a vida toda aprendendo a serem espertos e esqueceram de coisas tão básicas, e o país virou um caos.

Conta ainda a lenda que um navio, cheio de pessoas normais vaga pelos oceanos em busca de um lugar onde possam viver, um lugar onde ser normal seja a regra, diz a lenda que ainda não encontraram, mas como todos os tripulantes e passageiros são normais e retardados, não desistem da busca e continuam procurando, esperança eles têm de sobra.

O Legado de um Maltrapilho


Sou um Borderline,
Sou um Maltrapilho e
Sou amado por Deus!
Nada mais interessa, isto basta!

E quando chegarmos à Última Estação?


Acordei-me às 04h00, sentei-me diante do computador com uma caneca de café fumegante, coloquei os fones de ouvido e me preparei para assistir ao The last station (A última estação) antes mesmo do cantar do galo. Este “esforço” não me custou muito, pois trata-se de uma produção cinematográfica anglo-germânica de 2009 sobre os últimos momentos do grande escritor russo Leon Tolstoi, um dos meus mentores espirituais e intelectuais. A direção do filme é de Michael Hoffman e conta no elenco com nomes de pesos como Helen Mirren, Christopher Plummer e James McAvoy. A película é uma adaptação do, homônimo, romance biográfico de Jay Parini (1990). Nos créditos é possível ver que tanto um dos produtores (Wladimir) quanto uma das crianças que aparece no filme são descendentes diretos de Tolstoi.

De chofre já fui impactado pela aparição de Tolstoi, acostumado a imaginá-lo como um ancião circunspecto, taciturno, com uma aura de santidade, deparei-me com um senhor bonachão, simpático, esbanjando jovialidade e extremamente cinestésico, como todo russo que se preze, senti uma inveja de Valentin Bulgakov, pois Tolstoi o abraça e se importa sinceramente com ele. Do filme todo, a cena que mais me emocionou foi exatamente o primeiro diálogo do Conde com o secretário, a doçura de Tolstoi e a idolatria de Bulgakov por ele, e o mais belo, o ídolo se curva em direção ao devoto, realmente Tolstoi estava à frente do seu mundo, e ouso dizê-lo, até mesmo do nosso mundo. Acho que por ter lido toda a obra de Dostoiévski antes de ler a de Tolstoi, eu transpus a imagem melancólica que tinha de um para o outro, não sei! mas confesso que isso me chocou bastante.

Não vou fazer críticas ao filme, fotografia, enredo, adaptação, cenografia, nada! Não é essa a minha intenção, quero antes expressar o que senti ao ver um dos meus “ícones” ser retratado pelo cinema. O texto é bem pessoal, apenas vou endossar algumas críticas que foram feitas ao ambiente do filme: o enredo parece se desenrolar numa propriedade britânica e, imperdoável, é todo falado em inglês, mas nem isso conseguiu diminuir o impacto que a vida de Tolstoi causa em quem se aprofunda em conhecê-lo.

Lev (Leon) Nikoláievich Tolstoi nasceu em Yasnaya Polyana (onde se passa boa parte do filme) em 9 de setembro de 1828 e faleceu na estação de trem de Astapovo, em 20 de novembro de 1910, há exatos 101 anos.

O enredo se desenvolve na maturidade, no ocaso de uma vida intensa e cheia de significados, do Conde Lev, este após angariar fama como escritor, ficou célebre por tornar-se, na velhice, adepto de um modo de vida pacifista, seus textos e ideias desta época pareciam anarquistas e iconoclastas, e confrontavam as teses da igreja (a Ortodoxa Russa era a igreja estatal, com todas as benesses e malefícios que isso acarretava) e do governo (estamos falando da Rússia Czarista, aristocrata e escravagista) pregando que todos deviam levar uma vida simples e em contato e respeito com a natureza, o que é um tema antigo, porém “inadequado” na Rússia daquele período, que era opulenta e para a manutenção desse status quo das elites, permitia a existências de tantas diferenças entre as classes, com mais de 70% da população vivendo na escravidão e na semi-escravidão, os 30% restantes eram divididos entre a elite (10%) e a classe média, pouco mais de 20%.

Tolstoi além de Guerra e Paz, que trata da malfada campanha de Napoleão na Rússia, aquela que ele perdeu e a sua soldadesca ficou catando cavacos, daí o termo jocoso: “do jeito que Napoleão perdeu a guerra”, escreveu também Anna Karenina, por meio do qual faz uma denúncia profética da hipocrisia enraizada na alta sociedade russa e traça, com maestria, o perfil psicológico feminino mais profundo e sugestivo da literatura universal. Isso para citar apenas duas de suas obras, já que o total de seus escritos é computado em mais de uma centena.

A interpretação que ele faz dos ensinamentos cristãos é literal, a sua cosmovisão cristã, baseada numa exegese e numa hermenêutica muito peculiar, o permitiu encontrar o que tanto procurava: um ideal para viver, um caminho a seguir, diga-se de passagem, um caminho radical, já que o mesmo queria seguir ao pé da letra o que Jesus ensinou. Desta forma ele estabeleceu princípios que serviriam de norte para sua vida, do momento que os concebeu em diante. Nada rebuscado ou muito elevado para os iniciados, tudo muito simples, como simples foram os ensinamentos de Jesus.

Alguns desses princípios o impediram de aceitar a autoridade, seja civil ou eclesiástica, além disso, o “obrigaram” a criticar o direito à propriedade privada (o filme aborda a polêmica que ele criou com a esposa por conta desta crença) e os tribunais, com sua parcialidade e injustiça, e a defender entusiasticamente o conceito de não-violência, o que o tornariam uma referência para Gandhi, Luther King e Chesterton, Tolstoi utilizou-se das mídias disponíveis à época para propagar sua fé, panfletos, ensaios e peças teatrais. As críticas contra a sociedade estabelecida e contra a vã filosofia mundana eram por demais consistentes e esmagadoras, além de serem endossadas pela força do nome que empunhava a pena, tudo isso causou uma tremenda confusão nos admiradores de suas obras.

Tolstoi, depois que encontrou o propósito maior de sua vida, abandonou o vício do fumo e o costume de beber, além de tornar-se vegetariano, adotando também o vestuário simples e sóbrio de um campônio, criticando, desse modo, o luxo dos salões de baile e a pompa da corte de Moscou, distante de sua propriedade apenas 200 quilômetros. Não era natural que um Conde, ainda mais da mas alta nobreza literária russa, dono de milhares de “almas” e de muitos alqueires de terra, se vestisse de forma tão espartana.

Tolstoi procurava ser coerente com o que cria e demonstrava ter uma fé íntegra. Não aceitava que ninguém arrumasse seus aposentos, lhe fizesse roupas ou produzisse suas botas, cuidava disso pessoalmente, pois era convencido da igualdade universal, por isso, pregava que ninguém devia depender do trabalho alheio, chegou ao extremo até mesmo de lavrar o campo. Aos poucos as suas ideias atraíram centenas de seguidores, estamos falando do final do século XIX, época de ebulição e transformações em todas as esferas da vida, que passaram a ser chamados de "tolstoianos". Chegou também a abrir mão de receber os direitos autorais dos livros que viria a escrever, e só mudou de pensamento em relação a isso, apenas quando precisou conduzir uma campanha de angariação de fundos para ajudar uma comunidade de camponeses (de ideias menonitas), a se mudarem para o Canadá fugindo da perseguição do governo.

Como não poderia deixar de ser, em virtude de tão avançadas ideias, Tolstoi, foi vigiado pela polícia do czar, além de ter sido excomungado pela Igreja Ortodoxa russa, em 1901, o que não lhe trouxe impacto negativo algum, tais atos só confirmavam o que ele havia escrito, alguns de seus amigos e seguidores contudo, foram para o exílio. E o próprio Tolstoi somente não foi preso porque sua fama era muito grande em todo o mundo, ele era considerado como um dos maiores nomes da arte da época, além de ser amado e adorado pelo povo, nem o governo e nem a igreja queriam mexer em casa de vespa, deixaram Tolstoi “em paz”.

Tolstoi conseguiu convencer o mundo todo de suas ideias, mas não conseguia viver na simplicidade em que acreditava, o que poderia lhe trazer o descrédito por conta da incoerência, e quem mais contribui para esta aparente contradição foi sua família, principalmente a sua esposa Sônia, esta não queria perder o luxo e a opulência a que estava acostumada, e fazia terríveis cobranças ao mesmo, os filhos, que não haviam conquistado nada, davam razão a mãe, por quem Tolstoi tinha um devotado amor, e que usava este sentimento para chantageá-lo, e repetidas vezes ameaçou se matar quando ele demonstrava ter a intenção de ir embora de vez, viver o resto dos seus dias de acordo com sua crença. Ela por outro lado, cobrava um “pagamento” por toda a dedicação que havia tido durante toda a vida e exigia que ele deixasse um testamento concedendo-lhe os direitos autorais das suas obras da maturidade, ele porém, para não ser incoerente com o que pregava, elaborou um testamento em segredo, declarando no mesmo que todos os direitos autorais de sua obra pertenceriam a um seguidor seu, Chertkov, que no filme é tratado com um hipócrita e cínico, que teria a missão de tornar de domínio universal toda a sua obra.

Cansado de tanta ausência de paz, aos 82 anos de idade, quando deveria estar desfrutando de um sossego, ou escrevendo mais alguma obras, Tolstoi decide que chegou inexoravelmente o momento de ir embora, resolve portanto fugir, não tanto de casa, mas de sua esposa e seus filhos, deixou para trás um modo de vida que lhe era aviltante viver.

Nos primeiros dias obteve relativo sucesso, porém, Tolstoi não passava desapercebido nos trens e nas inumeráveis estações pelas quais passava, era o homem mais famoso da Rússia, não podia ser diferente. Por conta de sua austeridade, viajava sempre em vagões de terceira classe, que não eram dotados de um sistema de calefação eficiente, havia muito frio e muita fumaça, o Conde, já debilitado pela idade e pelo esforço desprendido na viagem, contraiu uma pneumonia, que se agravou muito rapidamente. No dia 20 de novembro de 1910, o velho profeta morreu, ainda em fuga, de pneumonia, na estação ferroviária de Astapovo, província de Riazan.

O féretro que conduzia seu corpo foi enviado para Yasnaya por meio de um trem, que foi recebido por centenas de camponeses e operários que viviam próximos à propriedade dos Tolstoi. Quando o caixão foi retirado do trem e carregado por sobre os ombros de seus seguidores, parentes e amigos, foi seguido uma multidão de quase 4 mil pessoas. O Governo de São Petesburgo deu ordens expressas para que as companhias ferroviárias não enviassem trens especiais para Yasnaya, pois muitos se aglomeravam nas estações querendo ir para o sepultamento daquele que era o último de uma linhagem de homens que nascem a cada mil anos.

Muitos consideram Tolstoi um anarquista, visto que pregava que estados organizados e as igrejas estabelecidas, além dos tribunais e dos dogmas eram meramente instrumentos de dominação de uns poucos homens sobre outros, muito embora ele mesmo não se visse assim, apenas não acreditava em guerras “justas” e revoluções violentas como remédios para planificação da sociedade e para a erradicação dos males que a assolavam e a faziam tão injusta, antes acreditava que quando o homem muda a si mesmo, ele estava começando a mudar o mundo. Ou seja, uma revolução só terá eficácia, se for uma revolução moral. Tolstoi deixava bem claro que o que ele cria e defendia, estavam embasados na vida simples e próxima à natureza dos camponeses e no evangelho sem arroubos literários e não nas teorias sociais intelectualizadas dos gabinetes dos filósofos de seu tempo.

Passaremos mais mil anos, até que um novo Tolstoi nasça, o que é uma pena, porém, cabe aqui uma questão final: como chegaremos à nossa estação final? O que levaremos e o que deixaremos para trás? Perguntas difíceis de responder.

Prece


Senhor, que és o céu e a terra, que és a vida e a morte! O sol és tu e a lua és tu e o vento és tu! Tu és os nossos corpos e as nossas almas e o nosso amor és tu também. Onde nada está tu habitas e onde tudo está - (o teu templo) - eis o teu corpo.

Dá-me alma para te servir e alma para te amar. Dá-me vista para te ver sempre no céu e na terra, ouvidos para te ouvir no vento e no mar, e mãos para trabalhar em teu nome.

Torna-me puro como a água e alto como o céu. Que não haja lama nas estradas dos meus pensamentos nem folhas mortas nas lagoas dos meus propósitos. Faze com que eu saiba amar os outros como irmãos e servir-te como a um pai.

[...]

Minha vida seja digna da tua presença. Meu corpo seja digno da terra, tua cama. Minha alma possa aparecer diante de ti como um filho que volta ao lar.

Torna-me grande como o Sol, para que eu te possa adorar em mim; e torna-me puro como a lua, para que eu te possa rezar em mim; e torna-me claro como o dia para que eu te possa ver sempre em mim e rezar-te e adorar-te.

Senhor, protege-me e ampara-me. Dá-me que eu me sinta teu. Senhor, livra-me de mim.

Fernando Pessoa (1888-1935)
(Em Obras em Prosa: O Eu Profundo, Ed. Nova Aguilar)

Ruller


Ruller o acordou antes das 04h00,
Não o deixou mais dormir.
Fez questão de lembrar-lhe de todos os “perus” dados e tomados,
Lembrou-lhe do último peru, tão caro e tão suado,
Mas, tomado sem esforço algum.
Mandou que ele se levantasse e lhe fez um café,
Uma xícara de um café misturado com desilusão,
Uma xícara cheia de um sentimento de vazio,
Uma xícara de desamparo, uma xícara de angústia.
Em cada momento do dia em que pôde se mostrar,
Ruller agiu com maestria,
Não o deixou por um só minuto,
Não o largou de jeito nenhum.
No almoço, fez questão de pôr a mesa,
Colocou os talheres, e trouxe o prato fumegante,
Um prato amargo, que o encheu de mais vazio,
A tarde sentou-se ao seu lado e não saiu de perto,
O encheu de medo, de tristeza e de amargura.
Quando achou que ele tinha ido embora,
Quando achou que entraria no carro e iria embora,
Embora para casa, em busca de um pouco,
Um pouco apenas de alívio para a dor que sentia,
Eis que Ruller, que nunca o deixou e nunca o deixará,
Insistiu em mostrar-lhe quem era mais forte,
De nada adiantaram seus rogos,
De nada serviram seus pedidos,
Suas súplicas caíram no vazio,
Sua dor e angústia não foram respeitadas,
Suas emoções foram vilipendiadas,
Sentiu-se um menino, só e desamparado.
Sentado num canto qualquer,
Com alguém com o dedo em riste,
Dedo acusador em riste, diante de seu rosto,
Desfiando um terço de lamentações,
Lamentações que ignoram suas lágrimas.
Lamentações que o encheram de mutismo,
Nada mais adiantava falar,
Ruller o dominou mais uma vez,
Sentiu-se impotente, sentiu-se inadequado,
Sentiu que ninguém pode compreendê-lo,
Ninguém o pode discernir,
Ninguém o pode conhecer,
Cada vez mais angustiado,
Cada vez mais sozinho,
Cada vez mais vazio.
Ruller ainda não sabe,
Mas ele é apenas um menino sozinho e indefeso,
Ruller não sabe, o magoa, mas não sabe,
Ruller é apenas o outro lado,
De um garoto que ele não quer ser,
Mas, que se um dia deixar de ser,
Levará consigo a sua própria existência.
Ruller precisa viver, para que ele também viva.

Jornada



A mesma estrada poeirenta,
Os mesmos desfiladeiros, frios e molhados,
As mesmas montanhas geladas, com suas encostas íngremes,
As mesmas florestas escuras e úmidas,
As mesmas copas de árvores tão densas, que nem o sol as penetra,
As mesmas cavernas de escuridão quase sólida.
A mesma mochila surrada e pesada,
Os mesmos tênis gastos,
A mesma calça de tantas viagens,
A mesma camisa encardida,
A mesma solidão de sempre,
A mesma alma sofrida e amedrontada,
E a mesma sede de um instante só de não infelicidade,
O mesmo vazio crescente,
Que o acompanha desde o inicio da jornada,
E que o faz continuar sempre em frente,
Na ânsia para encontrar algo que o preencha,
Que afaste a angústia,
Que minimize a tristeza.
Não há nada que mostre que o dia será melhor,
Nuvens plúmbeas já encobrem o céu,
Ainda que tanto faz, se chove ou se estia,
A única coisa que importa na verdade é a caminhada,
Saber que tem que colocar um pé na frente do outro,
O destino final parece longínquo,
Mas sabe que cada metro andado,
Que cada dia de peregrinação,
Serão passos a menos na sua caminhada,
Nesta jornada chamada vida!

A Vênus Platinada se converteu?


Alguns sábados atrás, de folga, sem ter muitas opções pela manhã, “tive” que ouvir alguns programas evangélicos. A TV da sala estava ligada, mesmo estando em outro cômodo da casa, ouvi alguns pregadores se “esgoelando” em busca de seguidores e, principalmente, de patrocinadores para os seus programas. Isso me deixou pensativo, e com algumas indagações. O que de fato me incomodou, e me incomoda, é a crescente aceitação que a igreja vem experimentando nos últimos três anos, daí eu me perguntei: Será que a igreja evangélica brasileira alcançou a maturidade para lidar, de forma sadia e equilibrada, com o poder, com a riqueza e com a fama? Será que ela consegue fazer, no meio de tanta popularidade, uma leitura correta do dito de Jesus:Ai de vós, quando todos os homens vos elogiarem? (Cf. Lucas 6:20-26).

Por muitos anos nós os evangélicos olhávamos para a relação da Igreja Católica com a mídia e o governo com uma pontinha deinveja, fazíamos oposição, esperneávamos e criticávamos, mas o que queríamos mesmo era igual tratamento. Aquele distanciamento, talvez não soubéssemos à época, era tão positivo, tão sadio, tão bom! Pelo menos podíamos exercer o ministério de forma profética, denunciadora e imparcial.

Mas as coisas estão mudando, mudando rapidamente e mudando para pior, se sabe que o número de evangélicos superará o de católicos em pouco tempo, a mídia trata alguns pastores e alguns cantores evangélicos como celebridades, ocrescimento” numérico de algumas igrejas, junto com a quantidade de igrejas que televisionam seus cultos chega a um patamar, que era impensável cinco ou dez anos atrás. As alianças de partidos, com maioria evangélica, com o governo, tem aproximado muitos, que não exercem liderança eclesiástica e que não estão devidamente preparados para os cargos que ocupam, sedutoramente do poder.

Uma mostra do quanto a mídia está disposta a mudar para atrair a audiência evangélica é o atual tratamento que a Vênus Platinada, mais conhecida como Rede Globo, está dispensando às fileiras evangélicas. Antes os evangélicos eram retratados em suas novelas como charlatões, facínoras, hipócritas e ignorantes, basta ver os papéis caricaturescos de Juliana Paes e de Edson Celulari, em alguns seriados e novelas, hoje passam a ser parte de uma classe que deve ser respeitada, pois além de crescer em número, cresce em poder financeiro, muitos ascenderam à classe média nos últimos anos, junto com boa parte da população que se beneficiou do crescimento econômico e da estabilidade da moeda.

Terça-feira (18/10) o repórter Lauro Jardim, que contribui para o blog Radar on-line da Veja publicou uma nota que despertou o meu interesse imediatamente (Clique aqui para conferir a nota), na referida nota ele informa que a poderosa Rede Globo estaria programando a exibição de um mega evento evangélico que acontecerá no Aterro do Flamengo (RJ). O Festival Promessas, que está marcado para ocorrer em 10 de dezembro, deverá ser exibido pela emissora oito dias depois em um especial de fim de ano, concedendo o mesmo status que sempre concede à Xuxa, Roberto Carlos e Fábio Jr.

O time que foi escalado para “entrar em campo” naquele evento conta com pelo menos 09 (nove) estrelas de primeira grandeza da constelação gospel, são artistas badalados, que arrastam multidões atrás de si: Diante do Trono (que já é especialista em juntar multidões) David Sacer, Fernanda Brum, Fernandinho, Regis Danese, Damares, Ludmila Ferber, Eyshila e Pregador Lou, todos com a missão de levantar o público, que está sendo estimado em milhares de pessoas.

Então vem a minha dúvida: esta transmissão pela Globo deve ser realmente encarada como uma benção? Ou será que a TV do Grande Irmão ao invés de apresentar apenas o especial, quer na verdade manipular os fiéis, que são ingênuos por natureza, na sua luta diária por audiência com a Record, que é sua maior concorrente e é, de uma forma ou de outra, uma emissora evangélica? Só o tempo dirá qual a verdade por trás desta intenção. 

A Igreja Católica sempre lidou com o poder de forma mais equilibrada, às vezes ela olha de cima para baixo, ela não se torna subserviente, nem se deixa ser usada para manipular as massas, esse que é o medo que toma conta de quem de fato se preocupa com o segmento evangélico brasileiro, que por não estar acostumado a lidar com o poder de forma sadia, ou se aproveite do mesmo, se locuplete, ou então se deixe usar e se torne um mero instrumento para que a massa de fiéis seja manipulada.

Não sei, mas eu ainda acho que estamos em situação bem melhor quando estamos sendo perseguidos, quando estamos recebendo favores da sociedade e do estado acabamos não sabendo lidar com isso, e a história já nos mostrou onde podemos parar. 

Qualquer que seja a resposta, só nos resta orar pela Noiva do Cordeiro, que permaneça imaculada e sem manchas para as Bodas. E que sobre aqueles que pensam em usá-la e manipulá-la, rogamos a Deus que derrame de Sua misericórdia, mas também pedimos-Lhe que haja juízo sobre os que pensarem em vilipendiar a Noiva de Jesus!

Envergo, mas não quebro

Se por acaso pareço
E agora já não padeço
Um mal pedaço na vida

Saiba que minha alegria
Não é normal todavia
Com a dor é dividida

Eu sofro igual todo mundo
Eu apenas não me afundo
Em sofrimento infindo

Eu posso até ir ao fundo
De um poço de dor profundo
Mais volto depois sorrindo

Em tempos de tempestades
Diversas adversidades
Eu me equilibrio e requebro

É que eu sou tal qual a vara
Bamba de bambú-taquara
Eu envergo mas não quebro (2x)


Não é só felicidade
Que tem fim na realidade
A tristeza também tem

Tudo acaba, se inicia
Temporal e calmaria
Noite e dia, vai e vem

E quando é má a maré
E quando já não dá pé
Não me revolto ou me queixo

E tal qual um barco solto
Salvo do alto-mar revolto
Volto firme pro meu eixo

E tal qual um barco solto
Salto alto mar revolto
Volto firme pro meu eixo

Em noite assim como esta
Eu cantando numa festa
Ergo o meu copo e celebro

Os bons momentos da vida
E nos maus tempos da lida
Eu envergo mas não quebro (4x)

[Vou imitar os meus "colegas" de http://osborderlines.blogspot.com/ e vou postar esta música de Lenine, tem um quê de Borderline nesta letra].

A música mais triste do mundo


Existe algo na tristeza que me encanta, a beleza de uma música triste faz meu coração se entristecer, mas o meu senso de estética, reverencia a beleza que há na solidão, em nuvens negras, nas lágrimas ou mesmo numa canção de uma alma dilacerada e devastada pelas emoções.
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