Make It Rain

When the sins of my father
Weigh down in my soul
And the pain of my mother will not let me go
Well I know there can come fire from the sky
To refine the purest of canes
Even though I know this fire brings me pain
Even so and just the same

Make it rain
Make it rain down low
Make it rain, make it rain
Make it rain
Make it rain down low
Make it rain, make it rain

And the seed needs the water
Before it grows out of the ground
But it just keeps on getting hotter
And the hunger more profound
Well I know there can come tears from their eyes
But they may as well all be in vain
Even though I know these tears come with pain
Even so and just the same

Make it rain
Make it rain down low
Make it rain, make it rain
Make it rain
Make it rain down low
Make it rain, make it rain

And the seas are full of water
It stops by the shore
Just like the riches of grandeur
That never reach the port

And let the claps fill with thunderous applause
And let the lightning be the veins
And fill the sky
With all that they can drop
When it's time to make a change

Make it rain
Make it rain down low
Make it rain, make it rain
Make it rain
Make it rain down low
Make it rain, make it rain



Faça Chover
Quando os pecados de meu pai
Pesam em minha alma
E a dor de minha mãe não me deixa em paz
Bom, eu sei que o fogo pode cair do céu
Para refinar o mais puro dos cetros
Mesmo sabendo que este fogo me traz dor
Mesmo assim, tudo bem

Faça chover
Faça chover lá embaixo
Faça chover, faça chover
Faça chover
Faça chover lá embaixo
Faça chover, faça chover

E a semente precisa da água
Para que possa crescer acima do chão
Mas está ficando cada vez mais quente
E a fome, mais profunda
Bom, eu sei que lágrimas podem cair dos olhos
Mas elas podem muito bem ser em vão
Mesmo sabendo que estas lágrimas trazem a dor
Mesmo assim, tudo bem

Faça chover
Faça chover lá embaixo
Faça chover, faça chover
Faça chover
Faça chover lá embaixo
Faça chover, faça chover

E os mares estão cheios de água
E a água acaba nos litorais
Assim como as riquezas dos poderosos
Que nunca chegam ao porto

E deixe que as palmas cresçam em um aplauso trovejante
E deixe que os relâmpagos sejam as veias
Que preenche os céus
Com tudo o que ela pode derramar
Quando está na hora de mudar

Faça chover
Faça chover lá embaixo
Faça chover, faça chover
Faça chover
Faça chover lá embaixo
Faça chover, faça chover

A vida à beira de um vulcão


A doença psíquica não é diferente das outras doenças. Ela é, apenas mais cruel, porque é invisível. Não há sinais físicos correlatos para quem sofre um transtorno de personalidade; não há febre; não há manchas espontâneas na pele; não há inchaços; nada que se possa ver num exame de raio x, ou mesmo numa sofisticada ressonância magnética. A doença psíquica é íntima apenas de quem convive com ela. E, mesmo assim, pode ser uma íntima desconhecida; dada sua natureza volátil e instável. Os transtornos de personalidade não têm nenhuma lógica que os possa explicar. E, aqueles que sofrem com essas doenças, ainda têm que lidar com um inimigo ainda mais implacável e cruel: o preconceito!

O Transtorno de Personalidade Borderline é caracterizado por um comportamento padrão regido por instabilidade nas relações interpessoais; autoimagem distorcida; dependência afetiva e excessiva impulsividade. Essa combinação explosiva mantém a pessoa numa condição mental perturbada, posto que ela pode ser acometida pelos sintomas de forma inesperada e violenta, transformando sua vida numa experiência caótica, intensa e dolorosa.

É na fase inicial da vida adulta que se observa maior ocorrência no surgimento do TPB. A denominação Transtorno de Personalidade Borderline foi usado pela primeira vez em 1884 e a partir disso, seu diagnóstico e tratamento passaram por várias modificações no decorrer dos anos. No início, enquadravam-se no termo pacientes cujo quadro oscilava entre a sanidade e a loucura, entre a neurose e a psicose; em função disso usou-se o termo “borderline”. O diagnóstico aparecia relacionado a sintomas neuróticos graves. A precisão no diagnóstico começou a se desenhar na década de 1980; antes disso, a maioria dos médicos tinha a crença de que a personalidade era algo definitivo, imutável; e, portanto não poderia ser objeto de observação e estudo para determinar qualquer tipo de doença.

São várias as causas envolvidas na instalação de um quadro de Transtorno de Personalidade Borderline: predisposição genética; experiências tráumáticas na infância ou adolescência; abuso; negligência; e, até fatores ambientais e sociais (guerras; acidentes causados por fenômenos naturais). É prevalente a ocorrência de TPB quando há parentes de 1º grau com esse transtorno. Famílias instáveis, formada por pais agressivos ou envolvidos em relações muito conflituosas e violentas são outro fator de desencadeamento de TPB. Crianças submetidas a uma educação excessivamente autoritária, com exigência completa de submissão e obediência, também podem desenvolver o transtorno, pois têm seu desenvolvimento cognitivo e emocional deformado por dúvidas profundas acerca de suas capacidades e excessivo sentimento de culpa e vergonha por seus fracassos, por mais naturais e típicos que sejam. No entanto, embora seja bem menos frequente, observa-se a ocorrência deste transtorno em indivíduos que não se enquadram em nenhum dos critérios previstos.

Aqueles que são vítimas de Transtorno de Personalidade Borderline vivem num sofrimento profundo. Empenham esforços desumanos na tentativa de evitar situações de abandono, quer elas sejam reais ou imaginárias. Repetem padrões de relacionamentos pautados pela alternância de extremos: ou idealizam demais o objeto de seu afeto, ou o desvalorizam a ponto de humilhar e romper vínculos definitivamente. Lutam com uma dualidade acerca da percepção que têm de si mesmos: ou se acham “o máximo”, ou se sentem “um lixo”. Submergem em comportamentos impulsivos ou obsessivos que podem variar de gastos excessivos; a sexo irresponsável; abuso de substâncias químicas; compulsão alimentar ou desejo de viver em risco permanente. São acometidos de forma constante por sentimento de menos valia, sentem-se vazios e entediados. Irritam-se facilmente, sendo protagonistas de explosões desproporcionais de raiva que duram algumas horas, mas depois deixam o indivíduo destruído diante de situações muitas vezes irremediáveis e que ele não tem como consertar. Não raras vezes, o portador de TPB mutila-se fisicamente e chega a tentar contra a própria vida.

O caos que envolve a vida do portador de Transtorno de Personalidade Borderline, atinge de forma inexorável aqueles que convivem com ele, sobretudo seus familiares. Muitas vezes, a família e os amigos desistem do portador de TPB, em função da dificuldade em lidar com suas intempestivas oscilações de comportamento. Entretanto, é importante salientar que os sintomas e próprio transtorno são tratáveis por meio de psicoterapia, acompanhamento médico-psiquiátrico e, quando necessário, uso de medicamentos sob prescrição, avaliação e orientação médica, para tratar condições periféricas tais como depressão, insônia, ansiedade, compulsão ou irritabilidade, por exemplo.

O prognóstico é de esperança e possibilidade de uma vida plena, organizada e com qualidade, desde que o paciente receba e persista no conjunto indicado de tratamentos e conte com um anteparo emocional, formado por uma rede afetiva de pessoas que se disponham a enfrentar cojuntamente os inúmeros desafios que os transtornos de personalidades infringem.

O fato é que aquele que vive às voltas com esse alucinante estado emocional em carne viva, sofre. Além das inúmeras contingências cruéis da doença, sofre com as catastróficas experiências amorosas nas quais se envolve; sofre com a falta de capacidade (ainda que temporária) de se comprometer com as mais simples tarefas do dia-a-dia; sofre por perder empregos, por não conseguir terminar o que começa, por não ser possível manter a concentração; sofre porque ser diferente é uma afronta que o outro não tolera porque se acha imune de qualquer tragédia dessas; sofre quando o outro à sua frente trata sua condição mental (grave) como algo imaginário ou um comportamento “para chamar a atenção”.

Assim, caso nos caiba a oportunidade de conviver com um de nós que esteja sendo tragado pelas agruras de uma doença psíquica, procuremos enxergar além da nossa tosca mania de rotular o outro com definições reducionistas. Façamos um pequeno esforço para compreender que nunca seremos capazes de mensurar de fato o quanto é dolorosa a luta de alguém cujo opositor não tem cara, nem coração. Tratemos de nos curar dessa doença epidêmica que é o preconceito. Assim, quem sabe, em vez de torcer o nariz e virar as costas, não sejamos capazes de acolher entre os braços e oferecer um tiquinho da nossa valiosa atenção!

Ana Macarini
Fonte: http://www.contioutra.com/borderline-a-vida-a-beira-de-um-vulcao/

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“Deus está morto!” – O que Nietzsche queria dizer com isso?


Deus está morto!” Em alemão, Gott ist tot! . Esta é a frase que mais do que qualquer outra está associada com Nietzsche. No entanto, há uma ironia aqui, já que Nietzsche não foi o primeiro a chegar a esta expressão. O escritor alemão Heinrich Heine (que Nietzsche admirava) disse antes, Hegel também. Mas foi Nietzsche quem fez disso a sua missão como um filósofo para responder à mudança cultural dramática que a expressão “Deus está morto” descreve.

A frase aparece pela primeira vez no início do Livro Três de A Gaia Ciência (1882). Um pouco mais tarde, é a ideia central no famoso aforismo (125) intitulado O louco, que começa assim:

“Nunca ouviram falar do louco que acendia uma lanterna em pleno dia e corria pela praça, gritando: “Eu procuro Deus! Eu procuro Deus!”. Mas aqueles que não acreditam em Deus, ficavam rindo, e diziam: “Estará perdido, tal uma criança?”, “Estará escondido? Estará com medo de nós?”, “Terá viajado?”. O louco então gritou: – Para onde foi Deus? o que vos direi! Nós o matamos! Vós e eu! Somos nós, nós todos, os assassinos! Mas como fizemos isso? Como esvaziamos o mar? Como apagamos o horizonte? Como tiramos a terra de sua órbita? Para onde vamos agora? Não estamos sempre caindo? Para frente, para trás, para os lados? Mas haverá ainda um acima, um abaixo? Não estaremos vagando através de um infinito Nada? Não sentiremos na face o sopro do vazio? O imenso frio? Não virá sempre noite após noite? Não acenderemos lâmpadas em pleno dia? Não podem ouvir o barulho dos coveiros – enterrando Deus? Ainda não sentiram o fedor da decomposição divina? Os deuses também apodrecem! E Deus morreu! Deus está morto! E nós o matamos!”

O louco continua a dizer:
Nunca houve ato maior – e quem vier depois de nós pertencerá, por causa desse ato, a uma história mais elevada que toda a história até então!” Nesse momento silenciou o homem louco, e novamente olhou para seus ouvintes: também eles ficaram em silêncio, olhando espantados para ele. “Eu venho cedo demais”, disse então, “não é ainda meu tempo. Esse acontecimento enorme está a caminho, ainda anda: não chegou ainda aos ouvidos dos homens. O corisco e o trovão precisam de tempo, a luz das estrelas precisa de tempo, os atos, mesmo depois de feitos, precisam de tempo para serem vistos e ouvidos. Esse ato ainda lhes é mais distante que a mais longínqua constelação – e no entanto eles cometeram!
O que tudo isso significa?
O primeiro ponto bastante óbvio a fazer é que a afirmação “Deus está morto” é paradoxal. Deus, por definição, é eterno e todo-poderoso. Ele não é o tipo de coisa que pode morrer. Então, o que significa dizer que Deus está “morto”? A ideia opera em vários níveis.

Como a religião perdeu o seu lugar na nossa cultura
O significado mais óbvio e importante é simplesmente este: Na civilização ocidental, a religião em geral, e o cristianismo em particular, estão em um declínio irreversível. Ele está perdendo, ou já perdeu o lugar central que tem mantido nos últimos dois mil anos. Isto é verdade em todas as esferas: na política, filosofia, ciência, literatura, arte, música, educação, vida social cotidiana, e as vidas espirituais interiores dos indivíduos.

Alguém poderia objetar: mas com certeza, ainda existem milhões de pessoas em todo o mundo, incluindo o Ocidente, que ainda são profundamente religiosas. Este é sem dúvida verdade, mas Nietzsche não vai negá-la. Ele está apontando para uma tendência em curso que, como ele indica, a maioria das pessoas ainda não compreende totalmente. Mas a tendência é inegável.

No passado, a religião era central em nossa cultura. A música de Bach era religiosa na inspiração. As maiores obras de arte do Renascimento, como A Última Ceia de Leonardo da Vinci,  normalmente tomavam temas religiosos. Cientistas como Copérnico, Descartes e Newton, eram homens profundamente religiosos. A ideia de Deus desempenhou um papel fundamental no pensamento de filósofos como Tomás de Aquino, Descartes, Berkeley e Leibniz. Sistemas de ensino inteiros foram regidos pela igreja. A grande maioria das pessoas foram batizadas, casadas e enterradas pela igreja, e frequentavam a igreja regularmente ao longo das suas vidas.

Nada disso é verdade mais. A freqüência à igreja, na maioria dos países ocidentais mergulhou em figuras individuais. Muitos preferem agora cerimônias seculares no nascimento, casamento e morte. E entre os intelectuais-cientistas, filósofos, escritores, e artistas-religiosos a crença não desempenha praticamente nenhum papel em seu trabalho.

O que causou a morte de Deus?
Portanto, este é o primeiro e mais básico sentido em que Nietzsche pensa que Deus está morto. Nossa cultura está se tornando cada vez mais secularizada. A razão não é difícil de entender. A revolução científica que começou no século 16 logo ofereceu uma maneira de compreender os fenômenos naturais que se mostrou claramente superior à tentativa de compreender a natureza por referência aos princípios religiosos ou escrituras. Esta tendência ganhou força com o Iluminismo no século 18, que consolidou a ideia de que a razão e evidência ao invés de escritura ou da tradição devem ser a base para nossas crenças. Combinado com a industrialização no século 19, o crescente poder tecnológico desencadeado pela ciência também deu às pessoas uma sensação de maior controle sobre a natureza. Sentir-se menos à mercê de forças incompreensíveis também desempenhou o seu papel na derrocada da fé religiosa.

Como Nietzsche deixa claro em outras seções de A gaia ciência , sua afirmação de que Deus está morto não é apenas uma afirmação sobre a crença religiosa. Em sua opinião, grande parte da nossa maneira padrão de pensamento carrega elementos religiosos que não estão conscientes. Por exemplo, é muito fácil falar sobre a natureza como se ele contivesse propósitos. Ou se falamos sobre o universo como uma grande máquina, esta metáfora carrega a implicação sutil que a máquina foi projetada. Talvez o mais fundamental de todos é a nossa hipótese de que não existe tal coisa como verdade objetiva. O que queremos dizer com isso é algo parecido com o modo como o mundo poderia ser descrito do “ponto de vista do olho de Deus ” – ponto de vista que não é apenas um entre muitas perspectivas, mas é a única verdadeira perspectiva. Para Nietzsche, porém, todo o conhecimento tem que ser de uma perspectiva limitada.

Implicações da morte de Deus

Por milhares de anos, a ideia de Deus (ou deuses) ancorou o nosso pensamento sobre o mundo. Foi especialmente importante como base para a moralidade. Os princípios morais que se seguem (Não mate. Não roube. Ajude aqueles em necessidade. Etc.) tinham a autoridade da religião por trás deles. E a religião forneceu um motivo para obedecer a essas regras, uma vez que nos disse que a virtude seria recompensada os vícios punidos. O que acontece quando este tapete é puxado para fora?

Nietzsche parece pensar que a primeira resposta será confusão e pânico. O aforismo O louco citado acima é cheio de perguntas terríveis. Uma descida no caos é vista como uma possibilidade. Mas Nietzsche vê a morte de Deus como um grande perigo e uma grande oportunidade. Ela nos oferece a oportunidade de construir uma nova “tabela de valores”, aquela que vai expressar um recém-descoberto amor deste mundo e por esta vida.

Uma das principais objeções de Nietzsche ao cristianismo é que no pensamento dessa vida como uma mera preparação para a vida após a morte, ele desvaloriza a própria vida. Assim, após a grande ansiedade expressa no Livro III, Livro IV de A gaia ciência é uma expressão gloriosa de uma perspectiva de afirmação da vida.

Por Emrys Westacott
Fonte: About Philosophy
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