Filhos de Deus

"Não busquemos satisfazer a sede pela liberdade tomando da taça da amargura e do ódio..."

Essas verdades foram vaticinadas por Martin Luther King, o mesmo que, no dia 20 de janeiro último, comemorou-se o seu dia nos EUA. Pacifista morto em 68, era contra até a guerra justa, foi martirizado em sua própria nação. Morreu porque buscava assegurar a outros o direito a viver num mundo justo e sem desigualdades. Na mesma semana do feriado, nos corredores da Casa Branca e do Pentágono, circulam nas mãos dos burocratas pesquisas de opinião, feitas para descobrir se os americanos são ou não favoráveis à guerra.

Isso parece enredo de peça de teatro no estilo Kafka: non sense. Enquanto algumas igrejas e instituições de direitos humanos se reuniam para comemorar o nascimento de alguém que lhes indicou o caminho da igualdade, do amor e da paz, os líderes do seu país só respiram guerra e ainda procuram saber se estão agradando, se estão dando ibope. King foi discípulo de um homem que procurou a paz em todos os instantes de sua vida. Paz entre os homens e paz dos homens com Deus: Jesus Cristo. Num de seus discursos, usando um pequeno morro como plataforma para divisar os rostos ansiosos de seus seguidores, ele proclama com sua voz suave e macia, cheia de amor e paz: "Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus...".

Os EUA que, orgulhosamente, não sem razão, se gabam de terem sido fundados sobre as verdades bíblicas, dão mostram da superficialidade do Cristianismo que vivem. Uma geração que é a favor da guerra, uma geração belicista, uma geração que elege seus dirigentes pelo discurso duro e beligerante. À cada queda nas pesquisas, George, o Bush (Cauda de Raposa), que também se diz cristão, só precisa disparar uns mísseis e promover umas invasões e logo a sua popularidade dispara. Com soberba desdenha das opiniões contrárias à guerra, da ONU e de seus aliados, e ao melhor estilo non-sense espera que o Iraque obedeça à ONU, mas ele mesmo não obedece, pensa estar acima do Bem e do Mal. Rev. King indicou o caminho da paz, porque conhecia o evangelho e procurava vivê-lo. Jesus não deixou opção, não deixou escolha, sua ética era radical:

Os filhos de Deus buscam a paz. Pacificador no entender dele era a credencial de seus seguidores, não o dogma, nem tampouco reuniões de êxtase espiritual, mas uma simples e sublime busca pela implantação do Reino: "... Venha o Teu reino..." Esqueceram das palavras de King, ou melhor, esqueceram as de Jesus.

Diário de Pernambuco Edição de Sábado, 8 de Fevereiro de 2003

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