Mostrando postagens com marcador Borderline. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Borderline. Mostrar todas as postagens

A vida à beira de um vulcão


A doença psíquica não é diferente das outras doenças. Ela é, apenas mais cruel, porque é invisível. Não há sinais físicos correlatos para quem sofre um transtorno de personalidade; não há febre; não há manchas espontâneas na pele; não há inchaços; nada que se possa ver num exame de raio x, ou mesmo numa sofisticada ressonância magnética. A doença psíquica é íntima apenas de quem convive com ela. E, mesmo assim, pode ser uma íntima desconhecida; dada sua natureza volátil e instável. Os transtornos de personalidade não têm nenhuma lógica que os possa explicar. E, aqueles que sofrem com essas doenças, ainda têm que lidar com um inimigo ainda mais implacável e cruel: o preconceito!

O Transtorno de Personalidade Borderline é caracterizado por um comportamento padrão regido por instabilidade nas relações interpessoais; autoimagem distorcida; dependência afetiva e excessiva impulsividade. Essa combinação explosiva mantém a pessoa numa condição mental perturbada, posto que ela pode ser acometida pelos sintomas de forma inesperada e violenta, transformando sua vida numa experiência caótica, intensa e dolorosa.

É na fase inicial da vida adulta que se observa maior ocorrência no surgimento do TPB. A denominação Transtorno de Personalidade Borderline foi usado pela primeira vez em 1884 e a partir disso, seu diagnóstico e tratamento passaram por várias modificações no decorrer dos anos. No início, enquadravam-se no termo pacientes cujo quadro oscilava entre a sanidade e a loucura, entre a neurose e a psicose; em função disso usou-se o termo “borderline”. O diagnóstico aparecia relacionado a sintomas neuróticos graves. A precisão no diagnóstico começou a se desenhar na década de 1980; antes disso, a maioria dos médicos tinha a crença de que a personalidade era algo definitivo, imutável; e, portanto não poderia ser objeto de observação e estudo para determinar qualquer tipo de doença.

São várias as causas envolvidas na instalação de um quadro de Transtorno de Personalidade Borderline: predisposição genética; experiências tráumáticas na infância ou adolescência; abuso; negligência; e, até fatores ambientais e sociais (guerras; acidentes causados por fenômenos naturais). É prevalente a ocorrência de TPB quando há parentes de 1º grau com esse transtorno. Famílias instáveis, formada por pais agressivos ou envolvidos em relações muito conflituosas e violentas são outro fator de desencadeamento de TPB. Crianças submetidas a uma educação excessivamente autoritária, com exigência completa de submissão e obediência, também podem desenvolver o transtorno, pois têm seu desenvolvimento cognitivo e emocional deformado por dúvidas profundas acerca de suas capacidades e excessivo sentimento de culpa e vergonha por seus fracassos, por mais naturais e típicos que sejam. No entanto, embora seja bem menos frequente, observa-se a ocorrência deste transtorno em indivíduos que não se enquadram em nenhum dos critérios previstos.

Aqueles que são vítimas de Transtorno de Personalidade Borderline vivem num sofrimento profundo. Empenham esforços desumanos na tentativa de evitar situações de abandono, quer elas sejam reais ou imaginárias. Repetem padrões de relacionamentos pautados pela alternância de extremos: ou idealizam demais o objeto de seu afeto, ou o desvalorizam a ponto de humilhar e romper vínculos definitivamente. Lutam com uma dualidade acerca da percepção que têm de si mesmos: ou se acham “o máximo”, ou se sentem “um lixo”. Submergem em comportamentos impulsivos ou obsessivos que podem variar de gastos excessivos; a sexo irresponsável; abuso de substâncias químicas; compulsão alimentar ou desejo de viver em risco permanente. São acometidos de forma constante por sentimento de menos valia, sentem-se vazios e entediados. Irritam-se facilmente, sendo protagonistas de explosões desproporcionais de raiva que duram algumas horas, mas depois deixam o indivíduo destruído diante de situações muitas vezes irremediáveis e que ele não tem como consertar. Não raras vezes, o portador de TPB mutila-se fisicamente e chega a tentar contra a própria vida.

O caos que envolve a vida do portador de Transtorno de Personalidade Borderline, atinge de forma inexorável aqueles que convivem com ele, sobretudo seus familiares. Muitas vezes, a família e os amigos desistem do portador de TPB, em função da dificuldade em lidar com suas intempestivas oscilações de comportamento. Entretanto, é importante salientar que os sintomas e próprio transtorno são tratáveis por meio de psicoterapia, acompanhamento médico-psiquiátrico e, quando necessário, uso de medicamentos sob prescrição, avaliação e orientação médica, para tratar condições periféricas tais como depressão, insônia, ansiedade, compulsão ou irritabilidade, por exemplo.

O prognóstico é de esperança e possibilidade de uma vida plena, organizada e com qualidade, desde que o paciente receba e persista no conjunto indicado de tratamentos e conte com um anteparo emocional, formado por uma rede afetiva de pessoas que se disponham a enfrentar cojuntamente os inúmeros desafios que os transtornos de personalidades infringem.

O fato é que aquele que vive às voltas com esse alucinante estado emocional em carne viva, sofre. Além das inúmeras contingências cruéis da doença, sofre com as catastróficas experiências amorosas nas quais se envolve; sofre com a falta de capacidade (ainda que temporária) de se comprometer com as mais simples tarefas do dia-a-dia; sofre por perder empregos, por não conseguir terminar o que começa, por não ser possível manter a concentração; sofre porque ser diferente é uma afronta que o outro não tolera porque se acha imune de qualquer tragédia dessas; sofre quando o outro à sua frente trata sua condição mental (grave) como algo imaginário ou um comportamento “para chamar a atenção”.

Assim, caso nos caiba a oportunidade de conviver com um de nós que esteja sendo tragado pelas agruras de uma doença psíquica, procuremos enxergar além da nossa tosca mania de rotular o outro com definições reducionistas. Façamos um pequeno esforço para compreender que nunca seremos capazes de mensurar de fato o quanto é dolorosa a luta de alguém cujo opositor não tem cara, nem coração. Tratemos de nos curar dessa doença epidêmica que é o preconceito. Assim, quem sabe, em vez de torcer o nariz e virar as costas, não sejamos capazes de acolher entre os braços e oferecer um tiquinho da nossa valiosa atenção!

Ana Macarini
Fonte: http://www.contioutra.com/borderline-a-vida-a-beira-de-um-vulcao/

Salmo Borderline (X)


"Com os nossos próprios ouvidos ouvimos, ó Deus; os nossos antepassados nos contaram os feitos que realizaste no tempo deles, nos dias da antigüidade.
Com a tua própria mão expulsaste as nações para estabelecer os nossos antepassados; arruinaste povos e fizeste prosperar os nossos antepassados.
Não foi pela espada que conquistaram a terra, nem pela força do braço que alcançaram a vitória; foi pela tua mão direita, pelo teu braço, e pela luz do teu rosto, por causa do teu amor para com eles.
És tu, meu Rei e meu Deus! Tu decretas vitórias para Jacó!
Contigo pomos em fuga os nossos adversários; pelo teu nome pisoteamos os que nos atacam.
Não confio em meu arco, minha espada não me concede a vitória; mas tu nos concedes a vitória sobre os nossos adversários e humilhas os que nos odeiam.
Em Deus nos gloriamos o tempo todo, e louvaremos o teu nome para sempre. Pausa
Mas agora nos rejeitaste e nos humilhaste; já não sais com os nossos exércitos.
Diante dos nossos adversários fizeste-nos bater em retirada, e os que nos odeiam nos saquearam.
Tu nos entregaste para sermos devorados como ovelhas e nos dispersaste entre as nações.
Vendeste o teu povo por uma ninharia, nada lucrando com a sua venda.
Tu nos fizeste objeto de vergonha dos nossos vizinhos, de zombaria e menosprezo dos que nos rodeiam.
Fizeste de nós um provérbio entre as nações; os povos meneiam a cabeça quando nos vêem.
Sofro humilhação o tempo todo, e o meu rosto está coberto de vergonha por causa da zombaria dos que me censuram e me provocam, por causa do inimigo, que busca vingança.
Tudo isso aconteceu conosco, sem que nos tivéssemos esquecido de ti, nem tivéssemos traído a tua aliança.
Nossos corações não voltaram atrás, nem os nossos pés se desviaram da tua vereda.
Todavia, tu nos esmagaste e fizeste de nós um covil de chacais e de densas trevas nos cobriste.
Se tivéssemos esquecido o nome do nosso Deus e tivéssemos estendido as nossas mãos a um deus estrangeiro,
Deus não o teria descoberto? Pois ele conhece os segredos do coração!
Contudo, por amor de ti enfrentamos a morte todos os dias; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro.
Desperta, Senhor! Por que dormes? Levanta-te! Não nos rejeites para sempre.
Por que escondes o teu rosto e esqueces o nosso sofrimento e a nossa aflição?
Fomos humilhados até o pó; nossos corpos se apegam ao chão.
Levanta-te! Socorre-nos! Resgata-nos por causa da tua fidelidade".

Salmos 44:1-26 (NVI)

Salmo Borderline (IX)


"Como a corça anseia por águas correntes, a minha alma anseia por ti, ó Deus.
A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo. Quando poderei entrar para apresentar-me a Deus?
Minhas lágrimas têm sido o meu alimento de dia e de noite, pois me perguntam o tempo todo: "Onde está o seu Deus? "
Quando me lembro destas coisas choro angustiado. Pois eu costumava ir com a multidão, conduzindo a procissão à casa de Deus, com cantos de alegria e de ação de graças entre a multidão que festejava.
Por que você está assim tão triste, ó minha alma? Por que está assim tão perturbada dentro de mim? Ponha a sua esperança em Deus! Pois ainda o louvarei; ele é o meu Salvador e o meu Deus. A minha alma está profundamente triste; por isso de ti me lembro desde a terra do Jordão, das alturas do Hermom, desde o monte Mizar.
Abismo chama abismo ao rugir das tuas cachoeiras; todas as tuas ondas e vagalhões se abateram sobre mim.
Conceda-me o Senhor o seu fiel amor de dia; de noite esteja comigo a sua canção. É a minha oração ao Deus que me dá vida.
Direi a Deus, minha Rocha: "Por que te esqueceste de mim? Por que devo sair vagueando e pranteando, oprimido pelo inimigo?"
Até os meus ossos sofrem agonia mortal quando os meus adversários zombam de mim, perguntando-me o tempo todo: "Onde está o seu Deus? "
Por que você está assim tão triste, ó minha alma? Por que está assim tão perturbada dentro de mim? Ponha a sua esperança em Deus! Pois ainda o louvarei; ele é o meu Salvador e o meu Deus".

Salmos 42:1-11 (NVI)
Fonte: http://www.bibliaonline.com.br

Só!


Vejo-me triste, abandonada e só
Bem como um cão sem dono e que o procura,
Mais pobre e desprezada do que Job
A caminhar na via da amargura!

Judeu Errante que a ninguém faz dó!
Minh’alma triste, dolorida e escura,
Minh’alma sem amor é cinza e pó,
Vaga roubada ao Mar da Desventura!

Que tragédia tão funda no meu peito!…
Quanta ilusão morrendo que esvoaça!
Quanto sonho a nascer e já desfeito!

Deus! Como é triste a hora quando morre…
O instante que foge, voa, e passa…
Fiozinho de água triste…a vida corre…

Florbela Espanca - Livro de Sóror Saudade

A última carta de Kurt Cobain



Para Boddah
Falando como um simplório experiente que obviamente preferiria ser um efeminado, infantil e chorão. Este bilhete deve ser fácil de entender.

Todas as advertências dadas nas aulas de punk rock ao longo dos anos, desde minha primeira introdução a, digamos assim, ética envolvendo independência e o abraçar de sua comunidade, provaram ser verdadeiras. Há muitos anos eu não venho sentindo excitação ao ouvir ou fazer música, bem como ler e escrever. Minha culpa por isso é indescritível em palavras. Por exemplo, quando estou atrás do palco, as luzes se apagam e o ruído ensandecido da multidão começa, nada me afetava do jeito que afetava Freddie Mercury, que costumava amar, deliciar com o amor e adoração da multidão – o que é uma coisa que totalmente admiro e invejo.

O fato é que não consigo enganar vocês, nenhum de vocês. Simplesmente não é justo para vocês e para mim. O pior crime que posso imaginar seria enganar as pessoas sendo falso e fingindo que estou me divertindo 100 por cento. Às vezes acho que eu deveria acionar um despertador antes de entrar no palco. Tentei tudo que está em meus poderes para gostar disso (e eu gosto, Deus, acreditem-me, eu gosto, mas não o suficiente). Me agrada o fato de que eu e nós atingimos e divertimos uma porção de gente. Devo ser um daqueles narcisistas que só dão valor às coisas depois que elas se vão. Eu sou sensível demais. Preciso ficar um pouco dormente para ter de volta o entusiasmo que eu tinha quando criança.

Em nossas últimas três turnês, tive um reconhecimento por parte de todas as pessoas que conheci pessoalmente e dos fãs de nossa música, mas ainda não consigo superar a frustração, a culpa e a empatia que tenho por todos. Existe o bom em todos nós e acho que eu simplesmente amo as pessoas demais, tanto que chego a me sentir mal. O triste, sensível, insatisfeito, pisciano, pequeno homem de Jesus. Por que você simplesmente não aproveita? Eu não sei! Tenho uma esposa que é uma deusa, que transpira ambição e empatia, e uma filha que me lembra demais como eu costumava ser, cheia de amor e alegria, beijando todo mundo que encontra porque todo mundo é bom e não vai fazer mal a ela. Isto me aterroriza a ponto de eu mal conseguir funcionar. Não posso suportar a idéia de Frances se tornando o triste, autodestrutivo e mórbido roqueiro que eu virei.

Eu tive muito, muito mesmo, e sou grato por isso, mas desde os sete anos de idade passei a ter ódio de todos os humanos em geral. Apenas porque parece muito fácil se relacionar e ter empatia. Apenas porque eu amo e sinto demais por todas as pessoas, eu acho. Obrigado do fundo de meu nauseado estômago queimando por suas cartas e sua preocupação ao longo dos anos. Eu sou mesmo um bebê errático e triste! Não tenho mais paixão, então lembrem, é melhor queimar do que se apagar aos poucos. Paz, Amor, Empatia.

Kurt Cobain

Frances e Courtney, estarei em seu altar. Por favor, vá em frente, Courtney, por Frances. Pela vida dela, que vai ser tão mais feliz sem mim.
EU TE AMO, EU TE AMO!

Fonte: www.morreuhoje.com.br

Salmo Borderline (VIII)


"Senhor, não me repreendas no teu furor nem me disciplines na tua ira.
Pois as tuas flechas me atravessaram, e a tua mão me atingiu.
Por causa de tua ira todo o meu corpo está doente; não há saúde nos meus ossos por causa do meu pecado.
As minhas culpas me afogam; são como um fardo pesado e insuportável.
Minhas feridas cheiram mal e supuram por causa da minha insensatez.
Estou encurvado e muitíssimo abatido; o dia todo saio vagueando e pranteando.
Estou ardendo em febre; todo o meu corpo está doente.
Sinto-me muito fraco e totalmente esmagado; meu coração geme de angústia.
Senhor, diante de ti estão todos os meus anseios; o meu suspiro não te é oculto.
Meu coração palpita, as forças me faltam; até a luz dos meus olhos se foi.
Meus amigos e companheiros me evitam por causa da doença que me aflige; ficam longe de mim os meus vizinhos.
Os que desejam matar-me preparam armadilhas, os que me querem prejudicar anunciam a minha ruína; passam o dia planejando traição.
Como um surdo, não ouço, como um mudo, não abro a boca.
Fiz-me como quem não ouve, e em cuja boca não há resposta.
Senhor, em ti espero; Tu me responderás, ó Senhor meu Deus!
Pois eu disse: "Não permitas que eles se divirtam à minha custa, nem triunfem sobre mim quando eu tropeçar".
Estou a ponto de cair, e a minha dor está sempre comigo.
Confesso a minha culpa; em angústia estou por causa do meu pecado.
Meus inimigos, porém, são muitos e poderosos; é grande o número dos que me odeiam sem motivo.
Os que me retribuem o bem com o mal caluniam-me porque é o bem que procuro.
Senhor, não me abandones! Não fiques longe de mim, ó meu Deus!
Apressa-te a ajudar-me, Senhor, meu Salvador!"

Salmos 38:1-22 (NVI)

Salmo Borderline (VII)



"Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste? Por que estás tão longe de salvar-me, tão longe dos meus gritos de angústia?
Meu Deus! Eu clamo de dia, mas não respondes; de noite, e não recebo alívio!
Tu, porém, és o Santo, és rei, és o louvor de Israel.
Em ti os nossos antepassados puseram a sua confiança; confiaram, e os livraste.
Clamaram a ti, e foram libertos; em ti confiaram, e não se decepcionaram.
Mas eu sou verme, e não homem, motivo de zombaria e objeto de desprezo do povo.
Caçoam de mim todos os que me vêem; balançando a cabeça, lançam insultos contra mim, dizendo:
"Recorra ao Senhor! Que o Senhor o liberte! Que ele o livre, já que lhe quer bem! "
Contudo, tu mesmo me tiraste do ventre; deste-me segurança junto ao seio de minha mãe.
Desde que nasci fui entregue a ti; desde o ventre materno és o meu Deus.
Não fiques distante de mim, pois a angústia está perto e não há ninguém que me socorra.
Muitos touros me cercam, sim, rodeiam-me os poderosos de Basã.
Como leão voraz rugindo escancaram a boca contra mim.
Como água me derramei, e todos os meus ossos estão desconjuntados. Meu coração se tornou como cera; derreteu-se no meu íntimo.
Meu vigor secou-se como um caco de barro, e a minha língua gruda no céu da boca; deixaste-me no pó, à beira da morte.
Cães me rodearam! Um bando de homens maus me cercou! Perfuraram minhas mãos e meus pés.
Posso contar todos os meus ossos, mas eles me encaram com desprezo.
Dividiram as minhas roupas entre si, e tiraram sortes pelas minhas vestes.
Tu, porém, Senhor, não fiques distante! Ó minha força, vem logo em meu socorro!
Livra-me da espada, livra a minha vida do ataque dos cães.
Salva-me da boca dos leões, e dos chifres dos bois selvagens. E tu me respondeste.
Proclamarei o teu nome a meus irmãos; na assembléia te louvarei.
Louvem-no, vocês que temem o Senhor! Glorifiquem-no, todos vocês, descendentes de Jacó! Tremam diante dele, todos vocês, descendentes de Israel!
Pois não menosprezou nem repudiou o sofrimento do aflito; não escondeu dele o rosto, mas ouviu o seu grito de socorro.
De ti vem o tema do meu louvor na grande assembléia; na presença dos que te temem cumprirei os meus votos.
Os pobres comerão até ficarem satisfeitos; aqueles que buscam o Senhor o louvarão! Que vocês tenham vida longa!
Todos os confins da terra se lembrarão e se voltarão para o Senhor, e todas as famílias das nações se prostrarão diante dele, pois do Senhor é o reino; ele governa as nações.
Todos os ricos da terra se banquetearão e o adorarão; haverão de ajoelhar-se diante dele todos os que descem ao pó, cuja vida se esvai.
A posteridade o servirá; gerações futuras ouvirão falar do Senhor, e a um povo que ainda não nasceu proclamarão seus feitos de justiça, pois ele agiu poderosamente". 


Salmos 22:1-31 (NVI)
Fonte: http://www.bibliaonline.com.br

Socorro - Arnaldo Antunes


Socorro!
Não estou sentindo nada
Nem medo, nem calor, nem fogo
Não vai dar mais pra chorar
Nem pra rir...

Socorro!
Alguma alma mesmo que penada
Me empreste suas penas
Já não sinto amor, nem dor
Já não sinto nada...

Socorro!
Alguém me dê um coração
Que esse já não bate nem apanha
Por favor!
Uma emoção pequena, qualquer coisa!
Qualquer coisa que se sinta...
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva...

Socorro!
Alguma rua que me dê sentido
Em qualquer cruzamento
Acostamento, encruzilhada
Socorro! Eu já não sinto nada...

Socorro!
Não estou sentindo nada [nada]
Nem medo, nem calor, nem fogo
Nem vontade de chorar
Nem de rir...

Socorro!
Alguma alma mesmo que penada
Me empreste suas penas
Eu Já não sinto amor, nem dor
Já não sinto nada...

Socorro!
Alguém me dê um coração
Que esse já não bate
Nem apanha
Por favor!
Uma emoção pequena qualquer coisa!
Qualquer coisa que se sinta...
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva
Qualquer coisa que se sinta
Tem tantos sentimentos
Deve ter algum que sirva...

http://inimigo.com


Quando lhe disseram que poderia pôr um fim a tudo, achou que fosse brincadeira,
Uma infeliz e cruel brincadeira, diga-se de passagem,
Mas quando afirmaram que não era ilusão, e sim real.
Foi como um sonho, ou num sonho, por meio de um, ou dentro de um, 
A sensação foi tão boa, que se não fosse real, nem importava.
Teria uma oportunidade única, seria apenas uma em toda a eternidade,
Um vislumbre de algo que aos demais passa desapercebido:
Conhecer o seu maior inimigo, aquele que mais mal lhe fez,
A possibilidade de pôr termo a uma existência nefasta,
Existência essa que lhe negou por toda a vida a felicidade,
Destruir aquele que lhe impediu de vencer batalhas,
Aquele que lhe bloqueou estradas,
Aquele que lhe destruiu caminhos,
E trocou as placas de indicação para que se perdesse.
Que transformou seus sonhos em pesadelos e,
Tornou seus pesadelos numa realidade crua e cruel.
Aquele que fez com que todas as suas ligações se tornassem tênues, instáveis.
Aquele que descoloriu seu auto-retrato, despersonalizou e fragilizou, 
Fragilidade que o forçou a agradar a todos em busca de aceitação,
Aceitação que o obrigou a ser tudo e a ser nada. 
Afirmação exacerbada do “outro” e negação sem limites do “eu”!
Aquele que lhe ensinou o que são os afetos disfuncionais, 
Amores sem causa e sem efeitos. Ódios sem razão.
Aquele que o fez trilhar pelo caminho sísmico da impulsividade constante,
Caminho cheio de sendas perigosas e precipícios mortais.
Aquele que o fez viver sempre se esforçando para evitar ser abandonado,
Seja abandono real, seja imaginário, não saberia qual o pior, ambos o adoecem,
Cadeias e cárceres que não prendem o corpo, mas sim a alma,
O que só aumenta a sua pestilência e morticidade, 
Aquele que o tornou um ser intolerante à solidão,
E que por isso, o levou a se refestelar na sarjeta em busca de companhias.
Ainda que elas sejam, muitas vezes, piores que a sozinhês em si!
Os relacionamentos que lhe proporcionou, tiveram um padrão,
Um padrão terrível de instabilidade e de intensidade doentia.
Não lhe permitiu o equilíbrio e a moderação.
Tudo o que lhe deu foi de beber de uma fonte de extremos,
Num momento idealiza sem causa, num outro desvaloriza sem razão.
Fez do seu “eu” um terreno instável, movediço.
Impedindo-o de poder contemplar a sua auto-imagem por mais de um segundo.
Pois ela não dura mais do que alguns míseros átimos de tempo.
Balançando-no numa eterna gangorra, 
Os seus comportamentos automutilantes, no corpo e na alma, foram seus despojos,
O seu tributo foi uma instabilidade afetiva, 
Que não diferencia lágrimas de risos e risos de ódio,
O esvaziou a tal ponto que ficou cheio do nada, vazio de tudo!
Cortejou-lhe com uma raiva intensa, que se confunde com seu “eu”,
Condenou-lhe a saber que nunca seria alguém que devesse receber amor, 
Que o desamparo é inexorável, o sentimento condicional, imerecível, 
Que a incondicionabilidade no amor é um amarga ilusão, 
Deu-lhe o cálice da desconfiança, para que o sorvesse diuturnamente.
Numa nuvem de fumaça, a confiança no mundo, nos outros e em si mesmo, esvaiu-se.
Agora porém seu algoz seria sua presa, poderia ser o carrasco do medo e da dor.
Então, quando de arma em punho abriu a porta para defrontar-se com seu verdugo,
Quando se encheu de ira e coragem para poder punir a quem tanto mal fez,
Quando a probabilidade de se vingar estava para se tornar real,
Deparou-se consigo mesmo sentado, sozinho, absorto em pensamentos,
Baixou a arma, a fragilidade do ser o desarmou da raiva e da ira,
Resignação, redenção, não saberia dizer qual sentimento o tomou naquele momento,
Sentou-se ao lado de si mesmo, ainda que parecesse outra pessoa.
Abraçou-o, abraçou-se, reclinou a cabeça no ombro dele, que também era o seu e,
Chorou todas as lágrimas que um dia lhe foram negadas,
Chorou até mesmo aquelas que nunca vieram, e as que se foram, 
Chorou por cada erro, por cada dor, cada desamparo, por tudo e por nada, 
As lágrimas higienizaram seu ser, perdoou ao outro, perdoou a si, 
Soube naquele momento como deveria matar o seu maior inimigo,
Só poderia matar a quem tanto lhe fez mal: amando-o. Amando-se!


Salmo Borderline (VI)


"Eu te amo, ó Senhor, minha força.
O Senhor é a minha rocha, a minha fortaleza e o meu libertador; o meu Deus é o meu rochedo, em quem me refugio. Ele é o meu escudo e o poder que me salva, a minha torre alta.
Clamo ao Senhor, que é digno de louvor, e estou salvo dos meus inimigos.
As cordas da morte me enredaram; as torrentes da destruição me surpreenderam.
As cordas do Sheol me envolveram; os laços da morte me alcançaram.
Na minha aflição clamei ao Senhor; gritei por socorro ao meu Deus. Do seu templo ele ouviu a minha voz; meu grito chegou à sua presença, aos seus ouvidos.
A terra tremeu e agitou-se, e os fundamentos dos montes se abalaram; estremeceram porque ele se irou.
Das suas narinas subiu fumaça; da sua boca saíram brasas vivas e fogo consumidor.
Ele abriu os céus e desceu; nuvens escuras estavam sob os seus pés.
Montou um querubim e voou, deslizando sobre as asas do vento.
Fez das trevas o seu esconderijo, das escuras nuvens, cheias de água, o abrigo que o envolvia.
Com o fulgor da sua presença as nuvens se desfizeram em granizo e raios,
quando dos céus trovejou o Senhor, e ressoou a voz do Altíssimo.
Atirou suas flechas e dispersou os inimigos, com seus raios os derrotou.
O fundo do mar apareceu, e os fundamentos da terra foram expostos pela tua repreensão, ó Senhor, com o forte sopro das tuas narinas.
Das alturas estendeu a mão e me segurou; tirou-me das águas profundas.
Livrou-me do meu inimigo poderoso, dos meus adversários, fortes demais para mim.
Eles me atacaram no dia da minha desgraça, mas o Senhor foi o meu amparo.
Ele me deu total libertação; livrou-me porque me quer bem.
O Senhor me tratou conforme a minha justiça; conforme a pureza das minhas mãos recompensou-me.
Pois segui os caminhos do Senhor; não agi como ímpio, afastando-me do meu Deus.
Todas as suas ordenanças estão diante de mim; não me desviei dos seus decretos.
Tenho sido irrepreensível para com ele e guardei-me de praticar o mal.
O Senhor me recompensou conforme a minha justiça, conforme a pureza das minhas mãos diante dos seus olhos.
Ao fiel te revelas fiel, ao irrepreensível te revelas irrepreensível,
ao puro te revelas puro, mas com o perverso reages à altura.
Salvas os que são humildes, mas humilhas os de olhos altivos.
Tu, Senhor, manténs acesa a minha lâmpada; o meu Deus transforma em luz as minhas trevas.
Com o teu auxílio posso atacar uma tropa; com o meu Deus posso transpor muralhas.
Este é o Deus cujo caminho é perfeito; a palavra do Senhor é comprovadamente genuína. Ele é um escudo para todos os que nele se refugiam.
Pois quem é Deus além do Senhor? E quem é rocha senão o nosso Deus?
Ele é o Deus que me reveste de força e torna perfeito o meu caminho.
Torna os meus pés ágeis como os da corça, sustenta-me firme nas alturas.
Ele treina as minhas mãos para a batalha e os meus braços para vergar um arco de bronze.
Tu me dás o teu escudo de vitória; tua mão direita me sustém; desces ao meu encontro para exaltar-me.
Deixaste livre o meu caminho, para que não se torçam os meus tornozelos.
Persegui os meus inimigos e os alcancei; e não voltei enquanto não foram destruídos.
Massacrei-os, e não puderam levantar-se; jazem debaixo dos meus pés.
Deste-me força para o combate; subjugaste os que se rebelaram contra mim.
Puseste os meus inimigos em fuga e exterminei os que me odiavam.
Gritaram por socorro, mas não houve quem os salvasse; clamaram ao Senhor, mas ele não respondeu.
Eu os reduzi a pó, pó que o vento leva. Pisei-os como à lama das ruas.
Tu me livraste de um povo em revolta; fizeste-me o cabeça de nações; um povo que não conheci sujeita-se a mim.
Assim que me ouvem, me obedecem; são estrangeiros que se submetem a mim.
Todos eles perderam a coragem; tremendo, saem das suas fortalezas.
O Senhor vive! Bendita seja a minha Rocha! Exaltado seja Deus, o meu Salvador!
Este é o Deus que em meu favor executa vingança, que a mim sujeita nações.
Tu me livraste dos meus inimigos; Sim, fizeste-me triunfar sobre os meus agressores, e de homens violentos me libertaste.
Por isso eu te louvarei entre as nações, ó Senhor; cantarei louvores ao teu nome.
Ele dá grandes vitórias ao seu rei; é bondoso com o seu ungido, com Davi e os seus descendentes para sempre".

Salmos 18:1-50 (NVI)

Salmo Borderline (V)


"Até quando, Senhor? Para sempre te esquecerás de mim? Até quando esconderás de mim o teu rosto?
Até quando terei inquietações e tristeza no coração dia após dia? Até quando o meu inimigo triunfará sobre mim?
Olha para mim e responde, Senhor meu Deus. Ilumina os meus olhos, do contrário dormirei o sono da morte; os meus inimigos dirão: "Eu o venci", e os meus adversários festejarão o meu fracasso.
Eu, porém, confio em teu amor; o meu coração exulta em tua salvação.
Quero cantar ao Senhor pelo bem que me tem feito". 


Salmos 13:1-6 (NVI)
Fonte: http://www.bibliaonline.com.br

Grace - U2

Grace, she takes the blame
She covers the shame
Removes the stain
It could be her name

Grace, it's the name for a girl
It's also a thought that changed the world
And when she walks on the street
You can hear the strings
Grace finds goodness in everything

Grace, she's got the walk
Not on a ramp or on chalk
She's got the time to talk
She travels outside of karma
She travels outside of karma
When she goes to work
You can hear her strings
Grace finds beauty in everything

Grace, she carries a world on her hips
No champagne flute for her lips
No twirls or skips between her fingertips
She carries a pearl in perfect condition

What once was hurt
What once was friction
What left a mark
No longer stings
Because Grace makes beauty
Out of ugly things

Grace finds beauties in everything (2x)


Graça, ela assume a culpa
Ela cobre a vergonha
Remove a mancha
Poderia ser o nome dela

Graça, é o nome para uma menina
Também é um pensamento que mudou o mundo
E quando ela anda na rua
Você pode ouvir os violinos
Graça encontra bondade em tudo

Graça, ela tem um jeito de andar
Não como uma modelo nem como um bêbado
Ela tem tempo para falar
Ela viaja para fora do karma
Ela viaja para fora do karma
Quando ela vai trabalhar
Você pode ouvir os violinos
Graça encontra beleza em tudo

Graça, ela carrega um mundo em seus quadris
Não há taça de champanhe para seus lábios
Não há giros ou pulos entre os dedos
Ela carrega uma pérola em perfeitas condições

O que antes era dor
O que antes era atrito
O que deixava uma marca
Não fere mais
Porque Graça cria a beleza
A partir das coisas feias

Graça cria a beleza a partir das coisas feias

Salmo Borderline (IV)


"Senhor, por que estás tão longe? Por que te escondes em tempos de angústia?
Em sua arrogância o ímpio persegue o pobre, que é apanhado em suas tramas.
Ele se gaba de sua própria cobiça e, em sua ganância, amaldiçoa e insulta o Senhor. 
Em sua presunção o ímpio não o busca; não há lugar para Deus em nenhum dos seus planos. 
Os seus caminhos prosperam sempre; tão acima da sua compreensão estão as tuas leis que ele faz pouco caso de todos os seus adversários, pensando consigo mesmo: "Nada me abalará! Desgraça alguma me atingirá, nem a mim nem aos meus descendentes". 
Sua boca está cheia de maldições, mentiras e ameaças; violência e maldade estão em sua língua. 
Fica à espreita perto dos povoados; em emboscadas mata os inocentes, procurando às escondidas as suas vítimas. 
Fica à espreita como o leão escondido; fica à espreita para apanhar o necessitado; apanha o necessitado e o arrasta para a sua rede. 
Agachado, fica de tocaia; as suas vítimas caem em seu poder. 
Pensa consigo mesmo: "Deus se esqueceu; escondeu o rosto e nunca verá isto". 
Levanta-te, Senhor! Ergue a tua mão, ó Deus! Não te esqueças dos necessitados. 
Por que o ímpio insulta a Deus, dizendo no seu íntimo: "De nada me pedirás contas! "? 
Mas tu enxergas o sofrimento e a dor; observa-os para tomá-los em tuas mãos. A vítima deles entrega-se a ti; tu és o protetor do órfão. 
Quebra o braço do ímpio e do perverso, pede contas de sua impiedade até que dela nada mais se ache. 
O Senhor é rei para todo o sempre; da sua terra desapareceram os outros povos. 
Tu, Senhor, ouves a súplica dos necessitados; tu os reanimas e atendes ao seu clamor. 
Defendes o órfão e o oprimido, a fim de que o homem, que é pó, já não cause terror".

Salmos 10:1-18 (NVI)
Fonte: http://www.bibliaonline.com.br

Salmo Borderline (III)


"Senhor, não me castigues na tua ira nem me disciplines no teu furor.
Misericórdia, Senhor, pois vou desfalecendo! Cura-me, Senhor, pois os meus ossos tremem:
Todo o meu ser estremece. Até quando, Senhor, até quando?
Volta-te, Senhor, e livra-me; salva-me por causa do teu amor leal.
Quem morreu não se lembra de ti. Entre os mortos, quem te louvará?
Estou exausto de tanto gemer. De tanto chorar inundo de noite a minha cama; de lágrimas encharco o meu leito.
Os meus olhos se consomem de tristeza; fraquejam por causa de todos os meus adversários.
Afastem-se de mim todos vocês que praticam o mal, porque o Senhor ouviu o meu choro.
O Senhor ouviu a minha súplica; o Senhor aceitou a minha oração.
Serão humilhados e aterrorizados todos os meus inimigos; frustrados, recuarão de repente".

Salmos 6:1-10 (NVI)

Salmo Borderline (II)


"Escuta, Senhor, as minhas palavras, considera o meu gemer.
Atenta para o meu grito de socorro, meu Rei e meu Deus, pois é a ti que imploro.
De manhã ouves, Senhor, o meu clamor; de manhã te apresento a minha oração e aguardo com esperança.
Tu não és um Deus que tenha prazer na injustiça; contigo o mal não pode habitar.
Os arrogantes não são aceitos na tua presença; odeias todos os que praticam o mal.
Destróis os mentirosos; os assassinos e os traiçoeiros o Senhor detesta.
Eu, porém, pelo teu grande amor, entrarei em tua casa; com temor me inclinarei para o teu santo templo.
Conduze-me, Senhor, na tua justiça, por causa dos meus inimigos; aplaina o teu caminho diante de mim.
Nos lábios deles não há palavra confiável; suas mentes só tramam destruição. Suas gargantas são um túmulo aberto; com suas línguas enganam sutilmente.
Condena-os, ó Deus! Caiam eles por suas próprias maquinações. Expulsa-os por causa dos seus muitos crimes, pois se rebelaram contra ti.
Alegrem-se, porém, todos os que se refugiam em ti; cantem sempre de alegria! Estende sobre eles a tua proteção. Em ti exultem os que amam o teu nome.
Pois tu, Senhor, abençoas o justo; o teu favor o protege como um escudo."

Salmos 5:1-12 (NVI)

Salmo Borderline (I)


"Responde-me quando clamo, ó Deus que me faz justiça! Dá-me alívio da minha angústia; Tem misericórdia de mim e ouve a minha oração.
Até quando vocês, ó poderosos, ultrajarão a minha honra? Até quando estarão amando ilusões e buscando mentiras? Pausa
Saibam que o Senhor escolheu o piedoso; o Senhor ouvirá quando eu o invocar.
Quando vocês ficarem irados, não pequem; ao deitar-se reflitam nisso, e aquietem-se. Pausa
Ofereçam sacrifícios como Deus exige e confiem no Senhor.
Muitos perguntam: "Quem nos fará desfrutar o bem? " Faze, ó Senhor, resplandecer sobre nós a luz do teu rosto!
Encheste o meu coração de alegria, alegria maior do que a daqueles que têm fartura de trigo e de vinho.
Em paz me deito e logo adormeço, pois só tu, Senhor, me fazes viver em segurança".

Salmos 4:1-8 (NVI)

Sou eu...


"Isso não é legal.
Não estou jogando limpo.
É golpe baixo.
Porque essa é minha especialidade.
Não consigo controlar meus sentimentos.
Sou descartada como vômito em um saco de papel.
Controlar-me é difícil.
Não posso controlar-me, eu explodo.
Sou minha própria bomba.
Meu cérebro é uma Hiroshima permanente.
Em meu despertar, um cataclisma.
Sou meu pior drama.
Pior ainda, eu me achei sem me procurar.
Me encontrei e não consigo livrar-me de mim.
Então, não pergunte por que eu não posso amar".

Kiki Labrhche in "Borderline"

Ruller


Ruller o acordou antes das 04h00,
Não o deixou mais dormir.
Fez questão de lembrar-lhe de todos os “perus” dados e tomados,
Lembrou-lhe do último peru, tão caro e tão suado,
Mas, tomado sem esforço algum.
Mandou que ele se levantasse e lhe fez um café,
Uma xícara de um café misturado com desilusão,
Uma xícara cheia de um sentimento de vazio,
Uma xícara de desamparo, uma xícara de angústia.
Em cada momento do dia em que pôde se mostrar,
Ruller agiu com maestria,
Não o deixou por um só minuto,
Não o largou de jeito nenhum.
No almoço, fez questão de pôr a mesa,
Colocou os talheres, e trouxe o prato fumegante,
Um prato amargo, que o encheu de mais vazio,
A tarde sentou-se ao seu lado e não saiu de perto,
O encheu de medo, de tristeza e de amargura.
Quando achou que ele tinha ido embora,
Quando achou que entraria no carro e iria embora,
Embora para casa, em busca de um pouco,
Um pouco apenas de alívio para a dor que sentia,
Eis que Ruller, que nunca o deixou e nunca o deixará,
Insistiu em mostrar-lhe quem era mais forte,
De nada adiantaram seus rogos,
De nada serviram seus pedidos,
Suas súplicas caíram no vazio,
Sua dor e angústia não foram respeitadas,
Suas emoções foram vilipendiadas,
Sentiu-se um menino, só e desamparado.
Sentado num canto qualquer,
Com alguém com o dedo em riste,
Dedo acusador em riste, diante de seu rosto,
Desfiando um terço de lamentações,
Lamentações que ignoram suas lágrimas.
Lamentações que o encheram de mutismo,
Nada mais adiantava falar,
Ruller o dominou mais uma vez,
Sentiu-se impotente, sentiu-se inadequado,
Sentiu que ninguém pode compreendê-lo,
Ninguém o pode discernir,
Ninguém o pode conhecer,
Cada vez mais angustiado,
Cada vez mais sozinho,
Cada vez mais vazio.
Ruller ainda não sabe,
Mas ele é apenas um menino sozinho e indefeso,
Ruller não sabe, o magoa, mas não sabe,
Ruller é apenas o outro lado,
De um garoto que ele não quer ser,
Mas, que se um dia deixar de ser,
Levará consigo a sua própria existência.
Ruller precisa viver, para que ele também viva.

Jornada



A mesma estrada poeirenta,
Os mesmos desfiladeiros, frios e molhados,
As mesmas montanhas geladas, com suas encostas íngremes,
As mesmas florestas escuras e úmidas,
As mesmas copas de árvores tão densas, que nem o sol as penetra,
As mesmas cavernas de escuridão quase sólida.
A mesma mochila surrada e pesada,
Os mesmos tênis gastos,
A mesma calça de tantas viagens,
A mesma camisa encardida,
A mesma solidão de sempre,
A mesma alma sofrida e amedrontada,
E a mesma sede de um instante só de não infelicidade,
O mesmo vazio crescente,
Que o acompanha desde o inicio da jornada,
E que o faz continuar sempre em frente,
Na ânsia para encontrar algo que o preencha,
Que afaste a angústia,
Que minimize a tristeza.
Não há nada que mostre que o dia será melhor,
Nuvens plúmbeas já encobrem o céu,
Ainda que tanto faz, se chove ou se estia,
A única coisa que importa na verdade é a caminhada,
Saber que tem que colocar um pé na frente do outro,
O destino final parece longínquo,
Mas sabe que cada metro andado,
Que cada dia de peregrinação,
Serão passos a menos na sua caminhada,
Nesta jornada chamada vida!

Envergo, mas não quebro

Se por acaso pareço
E agora já não padeço
Um mal pedaço na vida

Saiba que minha alegria
Não é normal todavia
Com a dor é dividida

Eu sofro igual todo mundo
Eu apenas não me afundo
Em sofrimento infindo

Eu posso até ir ao fundo
De um poço de dor profundo
Mais volto depois sorrindo

Em tempos de tempestades
Diversas adversidades
Eu me equilibrio e requebro

É que eu sou tal qual a vara
Bamba de bambú-taquara
Eu envergo mas não quebro (2x)


Não é só felicidade
Que tem fim na realidade A tristeza também tem
Tudo acaba, se inicia Temporal e calmaria Noite e dia, vai e vem
E quando é má a maré E quando já não dá pé Não me revolto ou me queixo
E tal qual um barco solto Salvo do alto-mar revolto Volto firme pro meu eixo

E tal qual um barco solto
Salto alto mar revolto Volto firme pro meu eixo
Em noite assim como esta Eu cantando numa festa Ergo o meu copo e celebro
Os bons momentos da vida E nos maus tempos da lida Eu envergo mas não quebro (4x)

[Vou imitar os meus "colegas" de http://osborderlines.blogspot.com/ e vou postar esta música de Lenine, tem um quê de Borderline nesta letra].