A crucificação de um judeu!


Querem crucificar Rafinha Bastos, o, outrora, intrépido apresentador do CQC(Custe o que custar) da Band. Por muito tempo ele foi a voz dos que não tinham voz, foi o defensor dos fracos e algoz dos políticos corruptos, hoje se sair às ruas pode ser malhado como um Judas por aqueles que um dia o aplaudiram e riram com sua acidez. Ele pediu demissão da emissora depois que criou uma polêmica com vários famosos por conta de uma brincadeira sem graça que fez com uma cantora e o bebê da mesma. Apareceram centenas de paladinos da ética e da moral, indignados, dando apoio ao “rico” marido da dita cantora, muitos xingaram o comediante (sic) de pedófilo, chauvinista, preconceituoso, etc.

Eu estava aqui me perguntando: só agora, depois que ele agride uma cantora famosa, filha de pai famoso, casada com rico empresário, que é sócio de um jogador muito famoso que descobrem que Rafinha tem um humor cáustico? Só agora que perceberam que ele se diverte sozinho, humilhando os entrevistados e até mesmo aqueles que não queriam ser entrevistados? (Ai de quem não desse entrevista a ele!) Só agora que descobriram que as brincadeiras dele são sem graça?

Como judeu, Rafinha tem o humor apurado, sagaz, ácido, denso e um tanto quanto iconoclasta, está muito mais reservado para quem gosta do humor de Woody Allen e Mel Brooks, que como ele também são judeus, não é palatável para o público de TV. O formato do programa, que não permite densidade intelectual, pois o público que assiste, quer mais é se divertir às custas dos outros, não toleraria piadas inteligentes, pois não quer ter que pensar, não combina com o humor fino judaico.

Errou a Band e errou a produtora Cuatro Cabezas que não se deram conta de que isso um dia poderia acontecer. O público gostou e riu várias vezes, pois os humilhados eram inimigos da opinião pública, sejam políticos falastrões ou funcionários públicos incompetentes e corruptos, Mas Rafinha se deu mal, pois mexeu com coisas sagradas, mexeu com gente que a massa venera, até mesmo quem não tem opinião formada, atacou o apresentador, acham que ele quer ganhar fama às custas dos outros, o que é uma inverdade, ele não respeita nada, não liga para nada, nem se preocupa com a polêmica, visto que seu espírito é assim mesmo. Vai tirar proveito disso, ou melhor, já está tirando.

Gostava de assistir esse programa, na primeira temporada, nas primeiras edições, quando me dei conta de que o besteirol não se reinventava, mas que trazia as mesmas piadas, as mesmas circunstâncias constrangedoras e as mesmas humilhações, deixei para lá e tenho certeza que não perdi nada desde então.

Uma das coisas que me fez desistir de assistir ao CQC foi justamente o Rafinha. Nunca gostei dos constrangimentos que ele causava em centenas de anônimos que, com razão ou não, enfrentavam o microfone e a língua ferina dele.

Quantas vezes anônimos não foram ultrajados por ele? Constrangidos e humilhados por situações que o público, que o endeusa, aplaudia, tornando-o cada vez mais onipotente em sua atuação diante das câmeras, é só verificar a quantidade de seguidores que ele tem no Twitter para constatar isso.

Logo cabe a pergunta: por que só agora descobriram que Rafinha Bastos é agressor, o seu humor é desmedido e sua forma de atuação é de mau gosto? Só por conta da agressão que fez à cantora e seu bebê? O que leva a todo esse apoio? A fama dela, do pai dela e o dinheiro do marido dela ou a constatação de fato que ele é um furacão incontrolável?

Esse relativismo me indigna, preocupo-me com esse tipo de comportamento, pois vejo que a diferença de classes está longe de acabar no país. Será que não estou sendo exagerado ao querer que a massa que assiste ao folhetim, que acha normal rir de alguém que caiu de um ônibus ou no meio de uma rua consiga exercer juízo de valor adequado quando um famoso humilha um anônimo na TV?

Ficar do lado de famosos é fácil, difícil é ficar do lado de quem não tem fama e nem um microfone para se defender. Pergunto para terminar: deveríamos ficar do lado de quem tem fama ou do lado de quem tem razão? Da verdade ou do show?

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