Quem sou? - 2ª Edição



Quem sou eu? Ou o que sou eu?
Esta é a pergunta maior que a vida me faz,
E que eu sempre quis fazer para a vida.
Essa é a questão que minha alma me defronta todo os dias,
É uma questão que eu mesmo gostaria de responder.
É um enigma que eu mesmo queria encontrar a solução.
Sou um ser, uma pessoa, um alguém,
Alguém que sempre, absolutamente sempre, se sente vazio.
Tão vazio que chegar a duvidar que tenha vísceras,
Não há um dia que não sinta essa tristeza abissal,
Não há um dia que não ache que lhe falta algo,
Que lhe falta coração, mente, ou mesmo alma.
Por muitas vezes, seu outro “eu” pensa em preencher este vazio de forma vã,
E isso só faz aumentar o vazio, tornando-o tangível, solidificando-o,
Por vezes chega a parecer um bloco de concreto, com mil quilos.
Por isso que muitas vezes tentar preencher este vazio é o que resta,
Mas, é tão sólido que não sabe se preenche ou se quebra.
Nem que seja dirigindo de forma imprudente, “caçando” a morte,
Nem que seja praticando sexo sem consequências,
Ou mesmo se refestelando em pornografia degradante,
Tentando dar a si mesmo aquilo que os outros não conseguem,
Nem que seja abusando de álcool ou de drogas, para se “anestesiar”,
Nem que essa droga seja uma chávena de cafe quente,
Alguns querem comer compulsivamente,
Não comer é talvez mais eficiente em preencher o vazio,
Ainda outros, jogar compulsivamente,
Ou ainda gastar dinheiro sem controle,
Nem que seja para ter um minuto sequer de euforia,
Euforia que mexe com o sangue e faz a adrenalina subir,
Dar presentes a si mesmo, algo que lhe negaram um dia.
Às vezes, vem a paranoia dilacerante,
A paranoia de achar que alguém está lhe rejeitando.
Basta apenas uma palavra para que o inferno o visite,
Basta apenas uma palavra para ser lançado às alturas urânicas,
Quando mais precisa de alguém, mais este alguém se afasta,
Quando mais precisa de alguém, mais o machuca.
O sentimento que resta, se é que é sentimento, é a alienação,
Parece que não fez nada, que outro alguém que fez tudo aquilo,
Não consegue entender a queixa e as dores alheias,
Quando não aguenta a solidão, a angústia e o vazio,
Passa a esperar demais das pessoas, daqueles que ama.
È possuído pelo desejo de compartilhar detalhes mais íntimos da vida,
Mas, quando as prioridades da vida, as leva para outro lado,
Sente, languidamente, que estas mesmas pessoas não se importam o suficiente consigo.
Às vezes, vem a ira, a ira incontida, para sufocar o vazio,
Não sabe o que é pior, se ser amado ou amar,
Já que ambas as condições não isentam ninguém de sofrer,
Nada traduz isso melhor que o sarcasmo e a amargura,
E a dificuldade de controlar essa raiva é maior que ela mesma.
Quando ocorre a perda do senso de quem é,
Nada o traz de volta, nada o põe no caminho outra vez,
Daí vem a ilusão da automutilação ou mesmo da autoagressão,
A mente só produz morte, os pensamentos são de interromper a si mesmo,
A tentativa de concretude disso pode ser com gestos vazios ou só ameaças.
O que quer de fato interromper não é a vida, é a morte,
Que lhe aparece todos os dias na forma de uma angústia e de um vazio,
Nunca olha para si pelo mesmo prisma,
Visão multifacetária e caleidoscópica,
A visão de si mesmo muda mais rápido do que o giro da luneta lúdica,
A mudança de rumo na vida, a tomada de outras estradas é tão rotineira,
Os objetivos mudam tão rápido, junto com eles os valores,
Muda até mesmo a visão focal do ser e do fazer,
O medo de que os outros vão lhe abandonar é palpitante,
Os esforços para evitar que os outros lhe deixem são frenéticos,
Que só lhe trazem vergonha e arrependimentos depois,
Ainda que esse abandono nem seja real, o que nem sempre é.
Até mesmo ser abandonado por quem não gosta,
Pode ser como um ciclone que destrói tudo.
É uma verdadeira gangorra emocional,
Uma montanha russa de sentimentos,
O humor, como as ondas do mar, vêm e volta,
De uma depressão abissal, tão negra como fossas marinhas,
Pode se elevar até alturas colossais ofuscantes de ansiedade, intransponíveis,
Do riso sincero à tristeza lancinante,
Da gargalhada aberta à irritação inexorável,
Todo este trajeto pode ser em horas, minutos e até segundos.
O que acha das pessoas, o que acha daqueles que de fato importam,
Pode mudar de um polo ao outro, drástica, dramática e desavisadamente.
Todos os amores, mesmo aqueles que viraram ódio,
Foram intensos, tão intensos quanto passageiros,
Tão passageiros quanto instáveis,
Instáveis sem causa, instáveis sem razão,
Como toda a tempestade emocional que causa,
Não há nenhum sinal que a preceda,
Ninguém pode prever o que fará, nem o que sentirá,
Ninguém o pode prescrutar, ninguém o antecede,
Nem mesmo pela pequena fração de um milésimo.
Sempre enfrentando tormentas,
Sempre quixotescamente lutando contra moinhos e dragões,
Dragões imaginários, lutas inglórias, derrotas certas.
Aprender pode ser um tédio desanimador,
Já que sempre perde o interesse pelo que lhe é familiar,
Trabalhar pode ser atividade escravizante,
Pois a rotina pode conduzi-lo à sensação de não ser nada,
Atrela com facilidade o que é ao que faz,
E quando não faz nada, não é nada.
Companhia de amigos pode ser sufocante,
Pois a única pessoa que importa é ele mesmo,
E se alguém quiser a sua atenção demais,
Pode cometer um erro, e com isso o afastamento,
Mesmo os braços da pessoa amada pode ser tornar uma garra,
Que ao invés de acolher, aprisiona.
Basta um olhar para os lados ou uma palavra dita,
Ou mesmo uma palavra não dita,
Ou mesmo uma palavra mal dita!
Quem sou eu?
Eu sou tudo e não sou nada,
Eu, um Borderline.

[Postei este texto ontem, mas hoje vi que lhe faltava algo, completei o que julgava que faltava e estou postando outra vez, por isso tem no título 2ª edição.]

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