No limiar, sempre!




Um telefonema que não veio,
Ou mesmo um que veio e que se foi.
Uma palavra dita de qualquer jeito,
Ou ainda uma que nunca foi dita.
Um gesto casual e ingênuo,
Ou um que nunca foi feito.
Um pensamento que veio,
Ou um que nunca existiu.

Uma carta que nunca chegou,
Ou uma que nunca foi escrita.
Uma música que foi ouvida,
Ou uma que nunca foi composta.
Um encontro que foi marcado,
Ou outro que sequer foi pensado.
Um filme que foi visto juntos,
Ou outro que nem sabe que existe.

Uma data que deve ser lembrada,
Ou outra para ser esquecida.
Um momento que foi eterno,
Ou um segundo que nunca houve.
Uma palavra que não foi ouvida,
Ou outra que jamais foi articulada.
Um sentimento que não foi sentido,
Ou outro que sequer podia ser.

Uma foto que foi tirada,
Ou outra que não houve tempo.
Um poema que foi lido,
Ou outro que não pode ser feito.
Uma viagem que foi feita,
Ou outra que nem planejou.
Algo que nem foi pedido,
Mas que dói por não ter sido dado.

Emoções de criança,
Em corpo de adulto.
Tristeza abissal sem motivos,
Euforia contagiante sem causa.
Atração e admiração instantâneas,
Proximidade acolhedora.
Repulsa e rejeição imediatas,
Distância que abandona.

Está sempre na borda.
Sempre querendo o que os outros,
Nem sabem que devem dar.
Sempre esperando o que os outros,
Nem têm ideia que devem fazer.
Um abismo emocional profundo,
Uma tempestade de sentimentos.
Ódio e amor num só átimo.

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